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Guarás colorem manguezal de Peruíbe, no litoral de SP

Aves de cores vibrantes foram fotografadas no manguezal do rio Preto; ornitólogo destaca importância da espécie para o turismo e a preservação ambiental

Guarás foram avistados em área de mangue do rio Preto, no bairro Jardim Guaraú, em Peruíbe - Vando Silva
Guarás foram avistados em área de mangue do rio Preto, no bairro Jardim Guaraú, em Peruíbe - Vando Silva


Uma belíssima imagem de guarás (Eudocimus ruber), também conhecido com guarás-vermelhos se alimentando foi registrada pelas lentes do fotógrafo Vando Silva, no mangue do rio Preto, no bairro Jardim Guaraú, em Peruíbe, litoral de São Paulo.

Vando Silva, que já havia registrado a presença de um corvo-marinho enroscado em uma linha de pesca na mesma região, disse que frequentemente visita o local para fotografar os guarás. Desta vez, ao entrar em uma trilha do manguezal, flagrou as aves colorindo o preto e verde do manguezal, o que resultou nas imagens impressionantes. A ave de cor intensa e que já foi incomum na região por muitos anos, agora é um dos atrativos da cidade.

O ornitólogo Bruno Lima, de Peruíbe, comentou que os guarás-vermelhos, antes apenas de passagem pela cidade durante a reprodução, começaram a fixar residência no rio Preto, inicialmente atraídos por uma técnica interessante, a de usar bonecos de plástico que reproduzem as aves, para atrair o próprio instinto dos guarás, que vivem em bandos. 



A presença dos guarás elevou o moral da cidade, ao atrair turistas ao Mercado Municipal de Peixes, localizado em frente ao ponto no qual as aves costumam dormir ao final do dia. "Muita gente vem para cá, em frente onde instalamos os bonecos, para observar os guarás, além de aproveitar para comprar peixes frescos", afirmou.

A atividade de observação de pássaros, conhecida como birdwatching, também tem se beneficiado com a presença dos guarás-vermelhos em Peruíbe. Fabio Barata, biólogo e guia de observação de aves, disse que os guarás aparecem com frequência, especialmente, entre o outono e o meados da primavera, e a espécie é uma das mais procuradas.

Bonecos idênticos a guarás-vermelhos atraíram a espécie para Peruíbe (SP)
Bonecos idênticos a guarás-vermelhos atraíram a espécie para Peruíbe - Foto: Bruno Lima



Os guarás

Os guarás-vermelhos são conhecidos por sua plumagem de tom avermelhado, resultado de alimentação rica em pigmentos que tingem suas penas, encontrada em caranguejos conhecidos como chama-maré. A espécie, que já foi considerada extinta no estado de São Paulo, na década de 1980, surpreendeu ao ‘reaparecer’ nos manguezais de Cubatão, de onde se acredita que se expandiram para outras áreas.

A história dos guarás no Brasil é marcada por períodos de desaparecimento e retorno. No litoral paulista, um dos primeiros registros históricos data do século XVI, em anotações do artilheiro alemão Hans Staden, que viveu parte de sua vida no Porto da Armação, em Guarujá, na divisa com Bertioga. Nesta região, os guarás, inclusive, emprestam seu nome a uma pequena ilha. 

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As aves praticamente desapareceram do litoral sul e sudeste, no entanto, uma colônia foi ‘redescoberta’ nos manguezais de Cubatão em 1982, por pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp). Essa colônia na Baixada Santista, além de ter se expandido para outras áreas, como indivíduos já avistados em Peruíbe e Bertioga, tem sido ponto de estudo para pesquisadores que observam a migração das aves rumo ao sul.



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