Fenômeno ocorre quando a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua e projeta sua sombra sobre o satélite natural

A chamada Lua de Sangue desperta curiosidade antes mesmo de surgir no céu. O nome incomum levanta dúvidas e faz muita gente se perguntar o que realmente ocorre nesse momento. O fenômeno, porém, tem explicação científica e faz parte dos ciclos naturais do sistema solar.
Quando a Lua muda de aparência, a diferença costuma ser percebida rapidamente. Seja no caminho de volta para casa ou ao olhar pela janela, o contraste no céu chama atenção. A observação não exige conhecimento em astronomia, apenas atenção ao horário e às condições do tempo.
Lua de Sangue ocorre durante um eclipse lunar total, quando a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua e projeta sua sombra sobre o satélite natural. Nesse alinhamento, a Lua deixa de receber luz direta do Sol e passa a ser iluminada de forma indireta.
A astrônoma Cristiane Costa, do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), em nota do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, explica que a Lua reflete a luz solar e que parte dessa luz atravessa a atmosfera da Terra antes de alcançá-la.
Nesse percurso, a atmosfera espalha as cores e permite que tons mais avermelhados cheguem à superfície lunar, a depender da trajetória da Lua ao passar pelo cone de sombra da Terra.
O eclipse lunar de 3 de março de 2026 será visível em grande parte da América do Sul. No entanto, no Brasil, o fenômeno poderá ser acompanhado apenas nas fases penumbral e parcial. A fase total não será visível no território brasileiro.
De acordo com a astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional (ON/MCTI), quando a fase total tiver início, a Lua já estará abaixo do horizonte em todo o país. Assim, embora o eclipse seja classificado como total, o Brasil não verá sua totalidade.
Como o fenômeno ocorre no início da manhã, a Lua estará baixa no horizonte oeste, já em processo de ocaso. Quanto mais a oeste estiver o observador, maior será a porcentagem do disco lunar encoberto.
Apesar disso, no extremo oeste do Brasil, o obscurecimento poderá chegar a cerca de 96%, percentual muito próximo da totalidade, mas que ainda não caracteriza um eclipse total visível.
Eclipse será dividido em etapas, e cada fase marca um momento diferente da entrada da Lua na sombra da Terra.
Confira os horários no Brasil (horário de Brasília – UTC-3):
No Brasil, porém, apenas as fases penumbral e parcial (5h44 e 6h50) poderão ser observadas, pois a Lua já terá se posto quando começar a totalidade.
A fase penumbral é mais difícil de perceber sem equipamentos. Binóculos simples podem ajudar na visualização.
Após o eclipse de março de 2026, o Brasil só voltará a acompanhar um eclipse total da Lua com todas as fases visíveis em 26 de junho de 2029. Até lá, os fenômenos observáveis no país serão apenas parciais ou penumbrais.
Como a Lua de Sangue não poderá ser vista em sua totalidade apenas ao olhar para o céu. É possível acompanhá-la por transmissões on-line.
O canal oficial da Nasa no YouTube costuma transmitir eventos astronômicos ao vivo. As imagens mostram todas as fases do eclipse.
O Observatório Nacional, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, também efetua transmissões da Lua de Sangue com explicações em português.