EXTREMOS CLIMÁTICOS

El Niño intenso coloca cidades em alerta para eventos extremos; especialista explica impactos

El Niño previsto para 2026–2027 pode intensificar extremos climáticos, mas os desastres dependem da preparação das cidades


Redação
Publicado em 01/08/2026, às 13h40

FacebookTwitterWhatsApp

El Niño intenso coloca cidades em alerta para eventos extremos; especialista explica impactos
El Niño aumenta a probabilidade de chuvas intensas em determinadas regiões - Fernando Frazão/Agência Brasil/EBC


Os eventos climáticos extremos registrados na última semana de julho, quando um tornado atingiu municípios do Rio Grande do Sul e rajadas de vento superiores a 100 km/h provocaram transtornos e mortes no litoral de São Paulo, reforçaram um alerta que deve acompanhar o Brasil nos próximos meses: a chegada de um El Niño com previsão de forte intensidade para a temporada 2026–2027.

O tema esteve em destaque durante a abertura da reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), onde autoridades e pesquisadores discutiram um novo programa voltado à preparação das cidades brasileiras para enfrentar eventos meteorológicos extremos associados ao fenômeno climático.

Em artigo publicado no Jornal da Unesp da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", o professor José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e docente do Programa de Pós-Graduação em Desastres Naturais da Unesp, analisou os impactos esperados do fenômeno El Niño no Brasil. 



Segundo o pesquisador, o El Niño aumenta a probabilidade de chuvas intensas em determinadas regiões do país por causa do aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. No entanto, ele ressalta que isso não significa, necessariamente, um aumento no número de desastres, já que a gravidade dos impactos depende principalmente das medidas de prevenção e adaptação adotadas pelos municípios.

O El Niño pode trazer chuvas intensas, mas a ocorrência de desastres depende das condições de vulnerabilidade e das ações preventivas adotadas pelos municípios. Se as cidades investirem em drenagem, obras de contenção e planejamento urbano, os impactos podem ser significativamente reduzidos", explica o pesquisador.

Marengo destaca que a intensidade dos danos está diretamente relacionada à ocupação de áreas de risco e à capacidade das administrações públicas de executar medidas preventivas. Segundo ele, manter populações vulneráveis em locais suscetíveis a enchentes e deslizamentos aumenta o potencial de tragédias durante períodos de chuva intensa.

Imagem do El Niño captada pelo NASA Earth Observatory/Copernicus Sentinel, com processamento da ESA e NASA/JPL-Caltech.
Imagem do El Niño captada pelo NASA Earth Observatory/Copernicus Sentinel, com processamento da ESA e NASA/JPL-Caltech.



Além do El Niño, o pesquisador ressalta que o aquecimento global também exerce papel importante na intensificação dos eventos extremos observados nos últimos anos. De acordo com ele, nem todos os fenômenos registrados serão consequência direta do aquecimento das águas do Oceano Pacífico, mas as mudanças climáticas ampliam a frequência e a intensidade de tempestades, ondas de calor e outros eventos severos.

  • Leia também:

Historicamente, o El Niño provoca aumento das chuvas na Região Sul do Brasil, enquanto favorece períodos de estiagem no Norte e Nordeste. As secas podem atingir áreas da Amazônia e do Pantanal e se estender até 2027, dependendo da duração do fenômeno.

Preparação das cidades é considerada fator decisivo

O especialista afirma que o Cemaden tem sido constantemente acionado por governos estaduais e municipais para auxiliar na elaboração de estratégias de prevenção e adaptação diante da previsão de um novo ciclo de eventos extremos.



Como exemplo, Marengo cita o Rio Grande do Sul, que reconstruiu as comportas do Lago Guaíba após as enchentes históricas de 2024. A estrutura tem como objetivo reduzir o risco de inundações nas áreas urbanas em futuras ocorrências.

"O governo passou a discutir mais seriamente medidas de prevenção e contingência. Agora, o desafio é transformar esses planos em ações efetivas para diminuir os riscos à população", afirma.

Apesar das iniciativas, o pesquisador ressalta que somente a combinação entre planejamento urbano, investimentos em infraestrutura, sistemas de alerta e conscientização da população poderá reduzir os impactos dos fenômenos previstos para os próximos meses.

Para mais conteúdos

Receba o melhor do nosso conteúdo em seu e-mail

Cadastre-se, é grátis!