ALERTA AMBIENTAL

Super El Niño avança e pode provocar surto de escorpiões, mosquitos, moscas e aranhas

Fenômeno climático El Niño acelera a proliferação de animais peçonhentos; Biólogo das Cobras explica os surtos previstos

Super El Niño avança e pode provocar surto de escorpiões, mosquitos, moscas e aranhas
Calor intenso e umidade favorecem a proliferação do escorpião-amarelo e de mosquitos transmissores de doenças - Vini Souza/pixabay


O avanço do super El Niño acende o alerta para impactos biológicos severos no litoral de São Paulo e em todo o Brasil. O fenômeno meteorológico pode elevar a temperatura média em até 3°C. Além de catástrofes meteorológicas, esse aquecimento cria o ambiente ideal para a reprodução acelerada de mosquitos, pernilongos e espécies peçonhentas.

O biólogo Henrique Abrahão, conhecido como o 'Biólogo das Cobras', explica que o calor funciona como um catalisador para essas espécies. Em entrevista, o especialista explica que aranhas-marrons (Loxosceles), escorpiões-amarelos (Tityus serrulatus), moscas e mosquitos encontram o paraíso biológico nessas condições e podem causar surtos.

Os mosquitos estão entre os animais que mais provocam mortes no mundo devido às doenças que transmitem, especialmente em países de clima tropical como o Brasil. Temperaturas mais elevadas e maior umidade favorecem a reprodução do Aedes aegypti, vetor da dengue, zika e chikungunya



Fenômeno acelera a proliferação de mosquitos transmissores de doenças - Raquel Portugal e Rodrigo Méxas/Fundação Oswaldo Cruz
Fenômeno acelera a proliferação de mosquitos transmissores de doenças - Raquel Portugal e Rodrigo Méxas/Fundação Oswaldo Cruz

Para o biólogo, esse cenário exige atenção.

Os mosquitos já são os animais que mais matam pessoas no mundo por causa das doenças que transmitem. Se houver aumento expressivo de temperatura, esse cenário pode se intensificar. O mais importante é investir em prevenção antes que os impactos apareçam", afirmou.

O escorpião-amarelo também desperta preocupação do biólogo por causa do avanço urbano. Em 2025, houve 22 mil ocorrências em São Paulo. Dados dos últimos anos mostram que o número de óbitos provocados por picadas de escorpião superou o de serpentes no país, e com o avanço do super El Niño a espécie pode proliferar vertiginosamente.



Risco de extinção 

Apesar do forte impacto ambiental, as alterações provocadas pelo El Niño não geram risco de extinção imediata de plantas ou animais por se tratar de um evento passageiro. No entanto, o Biologo das Cobras faz uma ressalva: caso o aquecimento global avance a longo prazo, a extinção de diversas espécies se tornará inevitável.

Boletim oficial

No final de junho, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou o Boletim nº 1 sobre o monitoramento e as previsões do El Niño no país em 2026. O relatório aponta que as condições observadas na temperatura da superfície do mar mostram um padrão típico do fenômeno , com águas quentes no oceano Pacífico Equatorial, que já superam os 2°C próximo à costa da América do Sul.

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As previsões meteorológicas indicam alta probabilidade de temperaturas acima da média para o segundo semestre de 2026. Este aquecimento deve aumentar os eventos de ondas de calor e a ocorrência de incêndios florestais em diversas partes do território nacional.



Para o trimestre de julho, agosto e setembro de 2026, a previsão indica chuvas acima da média na região Sul, enquanto o centro-norte do país enfrentará chuvas abaixo da média histórica.

O documento oficial do Inmet conta com a parceria do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (Ana), do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec).

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