INOFENSIVO

Filhote de tubarão encalha em praia do litoral de SP e vídeo do resgate viraliza na web

Agente de segurança encontrou filhote na areia de Boiçucanga e o devolveu ao mar; biólogos identificaram a espécie

Filhote de tubarão encalha em praia do litoral de SP e vídeo do resgate viraliza na web
Instituto Argonauta identificou a espécie como Rhizoprionodon porosus - Imagens: Raul Porcino


Um filhote de tubarão foi encontrado encalhado e ainda vivo na faixa de areia da praia de Boiçucanga, em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. O resgate, feito por um morador da cidade, foi registrado em vídeo e rapidamente viralizou nas redes sociais.

O agente de segurança Raul Porcino, autor da gravação, contou ao portal Costa Norte que fazia a rotineira caminhada matinal quando avistou algo estranho fora da água. "Ele estava um pouco machucado, mas vivo. Decidi registrar o momento em vídeo para depois compartilhar e buscar mais informações", disse.

O registro publicado nas redes sociais na quarta-feira (3) alcançou mais de 2 milhões de visualizações em poucos dias. Nas imagens, o animal aparece se debatendo, enquanto Raul aguarda o momento certo para devolvê-lo ao mar. Segundo ele, o mar estava agitado e por isso decidiu esperar antes da soltura.



"Esperei o mar dar uma acalmada para conseguir colocá-lo de volta com segurança. Fiz isso meio sem jeito, mas deu tudo certo", explicou. O morador ainda afirmou que, após devolver o animal, voltou a caminhar pela praia e não o encontrou novamente na areia.

Raul disse também que conversou com pescadores locais, que relataram ser comum encontrar pequenos tubarões presos em redes. Para eles, a presença do animal não é rara, embora ainda desperte surpresa em moradores e turistas.

O Instituto Argonauta, referência no resgate e reabilitação de fauna marinha no litoral norte, informou que não foi acionado para essa ocorrência. No entanto, especialistas da instituição analisaram o vídeo e identificaram a espécie como Rhizoprionodon porosus, conhecida popularmente como cação-frango.



Cação-frango

De acordo com os biólogos, trata-se de uma espécie de tubarão costeiro comum em águas rasas do Atlântico, que pode atingir até 1,5 metro de comprimento quando adulto. Apesar de ser inofensivo para humanos, o animal enfrenta riscos devido à pesca incidental.

A pedido da reportagem, Geraldo de França Ottoni Neto, oceanógrafo e analista ambiental do ICMBio Alcatrazes, também avaliou as imagens do filhote e confirmou que a presença da espécie na região é comum. Segundo ele, "o avistamento indica que os animais podem se reproduzir na área".

Embora a espécie esteja classificada como pouco preocupante, na lista de animais ameaçados de extinção, o oceanógrafo diz que a situação requer atenção, já que tubarões têm baixa taxa reprodutiva, crescem lentamente e são vulneráveis à sobrepesca. Ottoni destacou ainda que "a captura ilegal para retirada de barbatanas agrava os riscos", e reforçou a necessidade de proteger a espécie.



Tubarões no litoral de SP

Em junho de 2024, mergulhadores e pesquisadores registraram um fato raro no Arquipélago de Alcatrazes, a cerca de 35 quilômetros da costa entre Ilhabela e São Sebastião. Durante monitoramento de aves, um grupo avistou  um cardume com aproximadamente 100 tubarões do gênero Carcharhinus sp.

O empresário Gustavo Luiz dos Santos Benedito contou que, ao notar os primeiros animais, chamou a equipe e, juntos, identificaram dezenas de exemplares nadando próximos. Ottoni Neto, do ICMBio Alcatrazes, também acompanhou o momento.

animais avistados não são perigosos para humanos, diz oceanógrafo
Cetáceos avistados não são perigosos para humanos, afirma oceanógrafo - Divulgação/Projeto Mar de Alcatrazes

O oceanógrafo destacou, na época, que várias espécies do gênero estão ameaçadas e que ver tantos tubarões reunidos é algo raro. Segundo o especialista, há pouco mais de duas décadas a presença desses animais era incomum na região, mas, nos últimos anos, os avistamentos de cardumes têm se tornado mais frequentes.



Ottoni ressaltou ainda que os tubarões não representam risco aos banhistas e mergulhadores, já que menos de 1% das espécies oferece perigo real ao ser humano. Para ele, a cena registrada foi inédita no Brasil e pode se tornar um atrativo turístico para o mergulho de observação. O pesquisador explicou, ainda, que o ambiente protegido de Alcatrazes, rico em alimento e livre de pesca, favorece a presença desses animais

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