Cerca de 100 tubarões foram filmados a 35km da costa; animais avistados não são perigosos para humanos, diz oceanógrafo

Um cardume de aproximadamente 100 tubarões do gênero Carcharhinus sp foi avistado no Arquipélago de Alcatrazes, localizado a 35km da costa, entre as cidades de São Sebastião e Ilhabela, no litoral de São Paulo. A observação foi feita no início desta semana por mergulhadores e pesquisadores que realizavam estudos na área, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
🦈 Mergulhadores nadam com cardume 'gigante' de tubarões no litoral de SPCerca de 100 tubarões foram filmados a 35 km da costa; animais avistados não são perigosos para humanos, diz oceanógrafo📸: ICMBio Alcatrazes e Capitão Ximango pic.twitter.com/y2kSDMmRs6
— Portal Costa Norte (@costanortenews) June 20, 2024
Gustavo Luiz dos Santos Benedito, de 37 anos, proprietário da operadora de turismo Capitão Ximango, contou à reportagem que o avistamento foi por acaso, durante monitoramento de aves no arquipélago. "Estávamos com um grupo de pesquisadores, nos intervalos, mergulhamos para aproveitar o mar. Quando vi os tubarões, decidi pular na água e, para minha surpresa, avistei cerca de dez. Voltei ao barco para avisar o grupo e, quando mergulhamos juntos, o número de tubarões aumentou para cerca de 100", relatou Gustavo.
Geraldo de França Ottoni Neto, oceanógrafo e analista ambiental do ICMBio Alcatrazes, também nadou com o cardume. Ele informou que a espécie exata dos tubarões ainda não foi definida, mas confirmou que pertencem ao gênero Carcharhinus sp. "Várias espécies desse gênero estão ameaçadas e é raro ver tantos tubarões juntos", afirmou.
Segundo o oceanógrafo, a presença de tubarões na região tem aumentado nos últimos meses. "Há cerca de 23 anos era raro avistar um tubarão por aqui. Nos últimos dois anos, isso tem mudado, e agora estamos vendo cardumes grandes com mais frequência", explicou.
Ottoni Neto mencionou que a equipe do ICMBio realiza visitas frequentes ao arquipélago para pesquisa, manejo de espécies exóticas e fiscalização para evitar a pesca irregular. “Lá é proibido qualquer tipo de pesca. Nossa fiscalização ajuda a manter a biodiversidade local.”
O analista ambiental do ICMBio Alcatrazes afirmou que a presença dos tubarões avistados não representam perigo para os mergulhadores ou banhistas. "Das espécies de tubarões, menos de 1% é perigosa para humanos. A maioria tem uma dieta específica de peixes e lulas. Queremos desmistificar a ideia de que tubarões são sempre ameaçadores".

O oceanógrafo disse, ainda, que os tubarões estão no arquipélago porque lá encontram um ambiente protegido e com abundância de alimento e considerou o avistamento do cardume como algo inédito no Brasil. “A área é protegida há muitos anos, o que mantém a biomassa e a biodiversidade próximas do original. Acreditamos que a partir de agora será mais comum avistá-los e acompanhar esses animais de perto. Mesmo em lugares como Fernando de Noronha, onde há muitos tubarões, nunca vimos uma concentração tão grande, é algo inédito no Brasil. Isso pode se tornar um novo atrativo para mergulhadores”, concluiu o oceanógrafo.”

Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (IMar/Unifesp) aponta que o número de avistamentos de tubarões aumentou no arquipélago de Alcatrazes. O levantamento leva em conta relatos feitos por mergulhadores que frequentam a área de preservação.
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O aumento no número de avistamentos reforça a hipótese defendida por cientistas de que os tubarões têm frequentado a região em maior número após a expansão e fortalecimento da área de proteção integral. O estudo identificou as seguintes espécies: Squalus cf. albicaudus (cação-bagre-da-cauda-branca); Carcharias taurus (tubarão-mangona); Carcharhinus plumbeus (tubarão-galhudo); Carcharhinus falciformis (tubarão-seda); Rhizoprionodon porosus (cação-frango); Sphyrna lewini (tubarão-martelo-recortado) e Sphyrna zygaena (tubarão-martelo-liso).
O avistamento mais recente de cardume dos cetáceos aconteceu em março deste ano, também na ilha de Alcatrazes, por um grupo de moradores de Ilhabela que praticavam mergulho na região. Os mergulhadores registraram a presença de cerca de 40 tubarões-martelo no local.
O Refúgio de Alcatrazes tem mais de 67,4 mil hectares e abriga mais de 1,3 mil espécies, das quais 100 sofrem ameaça de extinção. Já a Estação Ecológica Tupinambás tem 2,4 mil hectares. Ambas as unidades de conservação, localizadas no litoral norte do estado de São Paulo, na região das cidades de São Sebastião e Ilhabela, funcionam em conjunto por meio do Núcleo de Gestão Integrada Alcatrazes.
A chefe do ICMBio Alcatrazes, Thais Rodrigues, informou recentemente que o Instituto possui uma base estruturada e dedicada a cuidar do arquipélago. “Nossa atuação se dá em quatro principais frentes de trabalho: fiscalização, apoio à pesquisa, controle/monitoramento de espécies exóticas e invasoras e apoio ao uso público (visitação de baixo impacto, educação ambiental e voluntariado)”
Ela conta que dentro desse espaço, que é dedicado de forma geral à conservação da biodiversidade das unidades de conservação do local, os profissionais realizam atividades diversas, investindo a maior parte dos esforços da equipe e estrutura operacional/financeira para ações em campo. “A equipe do ICMBio está presente no arquipélago de Alcatrazes cerca de 250 dias por ano”, afirmou.
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