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Casa da Frontaria Azulejada: detalhes que atravessam a história de Santos

O prédio no Centro reúne arquitetura marcada por azulejos portugueses e programação cultural

Ana Júlia Constantino
Publicado em 03/10/2026, às 07h00

O principal destaque da construção está na fachada, revestida por sete mil azulejos em alto-relevo importados de Portugal. - Reprodução/Prefeitura de Santos


No centro de Santos, um sobrado chama atenção por uma característica que permanece evidente desde a fachada até os espaços internos. A Casa da Frontaria Azulejada integra o conjunto de atrações turísticas da cidade e reúne elementos arquitetônicos, memórias de diferentes períodos e atividades culturais.

Fachada reúne sete mil azulejos

O principal destaque da construção está na fachada, revestida por sete mil azulejos em alto-relevo importados de Portugal. O material compõe um prédio de influência neoclássica, característica do Segundo Império, de acordo com a prefeitura.

Além do aspecto decorativo, os azulejos tinham uma função prática quando foram instalados: ajudar na vedação da construção e diminuir a necessidade de pinturas frequentes.



A casa foi construída em 1865 para servir como residência e armazém do comendador português Manoel Joaquim Ferreira Netto. A porta principal, bastante ampla, permitia a passagem de carruagens, enquanto o andar superior era destinado originalmente à moradia da família.

Formato da construção guarda uma antiga função

A Casa da Frontaria Azulejada foi construída com pedras, óleo de baleia, saibro, pisos e forros de madeira. O imóvel tinha formato de “U”, com a abertura voltada para o mar.

A configuração estava relacionada à função comercial do espaço, já que facilitava o processo de carga e descarga de mercadorias desembarcadas nos antigos trapiches. Essa característica, porém, mudou após o aterramento da área posterior da casa, a construção dos primeiros armazéns do cais e a abertura da Rua Tuiuty, em 1892.

Espaço cultural recebe diferentes atividades

Ao longo do tempo, o imóvel teve outras funções. O térreo abrigou um armazém, enquanto o andar superior chegou a funcionar como escritório de café. Entre 1940 e 1960, o sobrado passou a ser utilizado como Hotel Guanabara e, posteriormente, como depósito de adubos químicos.

Depois de ser desapropriada pela prefeitura de Santos em 1986, quando estava semidestruída, a construção passou por um processo de recuperação. A fachada foi restaurada em 1992, com a recuperação da porta principal e dos azulejos. O trabalho resultou em sete mil peças novas, restauradas ou reproduzidas.

Desde dezembro de 2007, o imóvel abriga o Espaço Cultural Frontaria Azulejada, onde são realizadas exposições, eventos beneficentes e espetáculos culturais. O local também recebe apresentações musicais intimistas e pode ser alugado para eventos.

Visitação é gratuita e ocorre mediante agendamento

O imóvel fica na Rua do Comércio, 96, no centro de Santos. A entrada é gratuita, mas a visitação ocorre mediante agendamento pelo e-mail agendamentos@fundasantos.org.br. A abertura está condicionada à realização de algum evento no local.

O prédio também é utilizado como locação para produções audiovisuais, incluindo propagandas, novelas, minisséries e filmes.

A Casa da Frontaria Azulejada possui tombamentos pelo Iphan, em nível federal, pelo Condephaat, no âmbito estadual, e pelo Condepasa, na esfera municipal. Os reconhecimentos ocorreram, respectivamente, em 1973, 1987 e 1990.



Santos litoral

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