CULTURA

Bonde de Santos: a história da cidade sobre trilhos

O passeio reúne veículos de diferentes épocas e nacionalidades em um roteiro que aproxima visitantes do patrimônio da cidade

Bonde fechado, em Santos/SP.
O percurso passa por uma região marcada por construções históricas e preserva a cultura da cidade. - Reprodução/Prefeitura de Santos


Há passeios que permitem conhecer uma cidade de uma maneira diferente do roteiro convencional. Em Santos, uma dessas experiências acontece sobre trilhos e reúne elementos que atravessam diferentes períodos da história local.

O percurso passa por uma região marcada por construções históricas e preserva características de um meio de transporte que fez parte do cotidiano dos santistas, de acordo com informações da prefeitura.

Um passeio por diferentes períodos da história

A Linha Turística do Bonde parte da Estação do Valongo, prédio de 1867 ligado à primeira ferrovia paulista. A partir dali, os elétricos percorrem o Centro Histórico de Santos em um roteiro adaptado com sistema de audioguia e recursos em Libras.

A frota reúne veículos originais provenientes de países como Escócia, Portugal, Itália e Japão. O conjunto faz da cidade o primeiro Museu Vivo Internacional de Bondes da América Latina.

Até os profissionais que conduzem os veículos fazem parte da experiência: motorneiros e condutores utilizam réplicas dos uniformes usados na época em que os bondes eram um dos principais meios de transporte da cidade.

Veículos guardam histórias próprias

Entre os exemplares está o Bonde 32, construído em 1911 e apontado pela prefeitura como o elétrico mais antigo em circulação no país.

De origem escocesa, conserva nove bancos, escadas e outros elementos originais. O veículo comporta até 45 passageiros e foi utilizado na inauguração da Linha Turística, em 2000.

Outro exemplar é o Bonde 40, também de 1911. Conhecido como “bonde camarão”, possui mecânica original escocesa e carroceria de madeira e vidro. O veículo comporta 28 passageiros e passou por diferentes fases de pintura e personalização desde que entrou na Linha Turística.

Há exemplares vindos de outros países

A diversidade da coleção também aparece no Bonde Japonês, construído em 1953 e doado pela cidade de Nagasaki.

O veículo chegou a Santos em 2016, depois de uma viagem de 42 dias de navio, e passou por três anos de restauro e adaptações antes de ser inaugurado na cidade.

Outro destaque é o Bonde Arte, doado pela Prefeitura de Turim, na Itália, em 2009. O veículo tem 20 metros de comprimento, capacidade para 36 passageiros, ar-condicionado, banheiro e acessibilidade.

Até Pelé ganhou um bonde

A frota santista também conta com um veículo estilizado em homenagem a Pelé. O Bonde 193, original do sistema da cidade do Porto, em Portugal, passou por restauração e recebeu elementos que fazem referência à trajetória do jogador.

O veículo apresenta imagens de Pelé, referências a títulos e momentos marcantes da carreira, além de um sistema multimídia com vídeos relacionados ao atleta e ao Museu Pelé, localizado no Valongo.

Passeio também tem regras e agendamento

O Bonde Tradicional pode ser agendado por grupos de 11 a 45 pessoas, com antecedência mínima de nove dias, conforme as regras divulgadas pela administração municipal. O percurso informado atualmente tem duração de 15 minutos, embora a duração possa variar conforme as condições da operação.

A tarifa integral informada na página é de R$ 7, enquanto estudantes, professores e pessoas com mais de 60 anos pagam R$ 3,50 mediante comprovação. Crianças de até 5 anos e guias de turismo que acompanham grupos, com carteirinha do Ministério do Turismo, têm isenção.

A bilheteria funciona no Museu Pelé, e os ingressos são vendidos somente em dinheiro. O embarque ocorre na Antiga Estação do Valongo, no Largo Marquês de Monte Alegre em Santos.

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