Mais de 24 mil denúncias foram registradas no ano passado; paciência e informação ajudam a reduzir riscos ao público idoso
Lenildo Silva
Publicado em 02/09/2025, às 18h00
Mais cedo ou mais tarde, todos chegaremos à maturidade e, até lá, já convivemos com pais, avós, familiares e outras pessoas idosas que amamos. Justamente esse público, cada vez mais ativo, tem se tornado alvo frequente de golpistas virtuais.
Só no primeiro semestre de 2024, por exemplo, foram 24,6 mil denúncias de golpes financeiros e violações patrimoniais contra idosos, quase um terço de todas as queixas registradas no Disque 100 da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos.
Neste sentido, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) que, dentre outras atribuições, atua no enfrentamento a todos os tipos de violência, como a financeira e patrimonial que atinge com frequência esse público vulnerável, aponta que paciência e informação são os melhores aliados na proteção dos idosos brasileiros.
Orientar os mais velhos sobre como agir em situações de risco, repetir instruções sempre que necessário e compartilhar informações confiáveis fazem diferença para reduzir a ação de golpistas.
Alexandre da Silva, secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, diz que presume que há um cenário de subnotificação dos dados referentes a fraudes e golpes financeiros a pessoas idosas. "Esses golpes acomentem, especialmente, aqueles com dificuldades de acesso a informações e canais de denúncia, ou, até mesmo, por vergonha ou medo de retaliações em relatarem essas ocorrências”, avalia.
Entre os motivos que tornam essa faixa etária mais visada estão mudanças cognitivas naturais, menor familiaridade com tecnologia, isolamento social e excesso de confiança. O avanço do acesso à internet também ampliou as oportunidades para criminosos: em 2016, apenas 24,7% dos idosos usavam a rede; em 2023, esse número saltou para 66%, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Três golpes são frequentemente relatados às autoridades. O primeiro ocorre em caixas eletrônicos, quando criminosos oferecem ajuda, observam a senha e trocam o cartão do idoso por um inativo. O segundo é o do falso boleto, em que documentos fraudulentos imitam contas de empresas conhecidas e levam a vítima a pagar valores para contas de criminosos.
No terceiro, os criminosos falsificam aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, fingem ser familiares e, ao contar uma história comovente, pedem transações bancárias, no chamado golpe do Pix. Este último caso ocorreu em maio deste ano, em Santos, no litoral de São Paulo.
Um aposentado de 78 anos, morador da Ponta da Praia, perdeu mais de R$ 5 mil após cair no golpe do Pix pelo WhatsApp. O crime começou quando o idoso recebeu mensagens de um número desconhecido, de alguém que fingiu ser o filho da vítima.
O golpista alegou que o celular havia quebrado e pediu ajuda financeira, já que não conseguiria acessar o aplicativo bancário. Ao confiar na história, o aposentado fez uma primeira transferência de R$ 1.830. Em seguida, o golpista pediu mais R$ 3.245, valor que também foi enviado. Só depois o idoso percebeu que havia sido enganado.
Para se proteger, a recomendação é que os idosos usem apenas caixas internos de agências, evitem aceitar ajuda de estranhos e, em caso de dúvidas, busquem funcionários do banco.
No caso de boletos, a orientação é gerar documentos exclusivamente nos sites oficiais, verificar os beneficiários e desconfiar de cobranças recebidas por e-mail e aplicativos de mensagem sem solicitação prévia.
Já no golpe do Pix, nunca transfira dinheiro a uma Chave Pix que não esteja acostumado a enviar, na dúvida, ligue ou faça chamada de vídeo com o parente ou amigo que precisa da quantia. Se perceber que é golpe, bloqueie o número e faça o boletim de ocorrência imediatamente.
Além disso, familiares e amigos podem contribuir ao conversar abertamente sobre segurança financeira e digital, orientar a não compartilhar senhas ou códigos por telefone e ensinar a identificar sites e mensagens falsas. Manter esse diálogo constante é considerado essencial para prevenir prejuízos e preservar a autonomia dos idosos.
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