Moradores ficaram assustados ao flagrar o felino dentro da residência no bairro Bonete; ataque causou a morte do animal de estimação
Lenildo Silva
Publicado em 25/09/2025, às 12h00
Uma jaguatirica (Leopardus pardalis), invadiu uma residência no bairro Bonete, em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, e atacou o gato de estimação da família. A cena registrada em vídeo, foi publicada na internet na tarde de quarta-feira (24), e rapidamente se espalhou pelas redes sociais.
Jaguatirica invade casa e ataca gato de estimação da família no litoral de SP
— Portal Costa Norte (@costanortenews) September 25, 2025
📹: Reprodução/Ilhabela SP LT pic.twitter.com/AW6PkTW5j5
Segundo o dono da casa, a jaguatirica entrou no imóvel a fim de pegar o animal e deixou todos assustados. No vídeo (veja acima) é possível ver gotas de sangue no chão e o gato acuado no teto do imóvel.
A suspeita é de que o felino tenha invadido o espaço em busca de alimento. Apesar da tentativa de salvar o animal doméstico, o gato não resistiu aos ferimentos e morreu após o ataque. O paradeiro da jaquatirica não foi divulgado.
A jaguatirica, cientificamente chamada Leopardus pardalis, é uma das espécies nativas da Mata Atlântica mais estudadas entre os felinos brasileiros. A comunidade científica já descreveu em detalhes os hábitos alimentares e aspectos morfológicos, o que tornou o animal bastante conhecido.
Camila Issagawa, bióloga especializada em biologia marinha e gerenciamento costeiro pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), explica que apesar da visibilidade, a jaguatirica sofre com perda de habitat, atropelamentos e caça, fatores que podem reduzir a população e provocar impactos graves no equilíbrio ambiental.
Em artigo publicado no portal Costa Norte, a bióloga conta que o felino vive da América Central até a América do Sul, e está presente em diversos biomas brasileiros. A única exceção é a região dos pampas, no Rio Grande do Sul, onde não há registros da espécie.
O animal é encontrado tanto em áreas preservadas quanto em regiões agrícolas e pastagens, sempre ligado a fragmentos de vegetação que garantem recursos e abrigo. Sua presença em locais alterados mostra resiliência, mas também vulnerabilidade.
Segundo Camila, a adaptação da jaguatirica é notável, mas os desmatamentos diminuem as áreas de sobrevivência da espécie. Essa redução territorial pode desencadear desequilíbrios ecológicos e afetar a biodiversidade local.
Embora seja animal de médio porte, a espécie não pode ser domesticada, ou seja, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) não autoriza a compra de jaguatiricas para usufruir como animal de estimação. O felino, além de ser solitário, possui hábitos noturnos e percorre grandes áreas durante a noite, o que não seria possível replicar em residências mesmo com grandes extensões.
Como diversos mamíferos, a jaguatirica suporta baixas temperaturas ao utilizar seu tecido adiposo (gordura corporal) e pelos para se aquecer. O animal possui hábito noturno e é terrestre, porém é hábil para subir em árvores, onde encontra parte de sua dieta. Sua alimentação é baseada em mamíferos de pequeno, médio e até grande porte que podem ser roedores como paca e cutia, tatus e até macacos.
A expectativa de vida do animal na natureza é de em média 10 anos e em cativeiro de 15 a 20 anos. Por ser animal solitário, este entra em contato com outros da mesma espécie para a reprodução e não possui período específico do ano para a procriação. A jaguatirica pode ter de um a quatro filhotes e possui período de gestação de 10 a 12 semanas.
No Brasil, a legislação protege a fauna silvestre. O artigo 29 da Lei Federal nº 9.605/1998 prevê pena de detenção e multa para quem matar, caçar ou manter animais silvestres em cativeiro sem autorização. Por isso, a entrega voluntária é considerada medida legal e responsável, que possibilita o tratamento adequado e, muitas vezes, a devolução do animal à natureza.
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