Animais nativos da Mata Atlântica foram avistados por câmeras 'trap' do projeto Felinos da Jureia-Itatins, coordenado pelo Instituto Bioventura

Uma jaguatirica (Leopardus pardalis) e um gato-do-mato-do-sul (Leopardus guttulus), ambos ameaçados de extinção, foram recentemente avistados na estação ecológica Jureia-Itatins, localizada entre Peruíbe e Iguape, no litoral sul de São Paulo. As imagens foram capturadas por câmeras 'trap', conhecidas como 'armadilhas fotográficas', do projeto Felinos da Jureia-Itatins, coordenado pelo Instituto Bioventura.
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Segundo Ed Ventura, biólogo especialista em felinos selvagens e consultor do projeto, as imagens divulgadas neste mês foram registradas entre fevereiro e março deste ano. Ele destacou que, pelo ângulo da imagem, há indícios de que a jaguatirica seja uma fêmea jovem. A espécie, apesar de ameaçada, é classificada como 'menos preocupante", pela Avaliação Nacional do Risco de Extinção.
Ventura ressaltou que as principais ameaças à jaguatirica incluem a perda e fragmentação de habitat, caça comercial e por retaliação, atropelamento e doenças transmitidas por carnívoros domésticos.
No mês seguinte à aparição da jaguatirica, as câmeras do projeto capturaram o raro registro do Leopardus guttulus melânico, ou seja, de coloração preta, passeando pela estação. Segundo Ventura, esta espécie é considerada 'vulnerável', pela IUCN, e 'em perigo', na lista nacional do ICMBio, o que torna o registro ainda mais significativo.
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O biólogo explicou que o melanismo é uma condição genética na qual a produção elevada de melanina causa o escurecimento da pele. Embora o fenômeno seja comum entre felinos em geral, é raramente observado e fotografado na natureza, o que torna a descoberta ainda mais importante para a conservação da espécie na região.
Além dos felinos citados, o projeto já registrou diversos animais da Mata Atlântica dentro da estação ecológica Jureia-Itatins. "Durante a triagem, identificamos registros de diversas outras espécies, como pacas, cutias, onças-pardas, queixadas, catetos, esquilos, antas, Iraras, marsupiais como saruês e cuícas, e também aves como inhambus", explicou o biólogo.
Quanto à quantidade de espécies avistadas em 2024, o biólogo informou que o projeto Felinos da Jureia-Itatins realiza a triagem dos registros das câmeras e espera quantificar o número de indivíduos dos animais avistados. "Estamos ainda analisando os dados para entender melhor a presença e os comportamentos dessas espécies na região", concluiu Ventura.