Encontro do Grupo Costa Norte reuniu poder público, porto, concessionárias e empresários para discutir infraestrutura e preservação de Bertioga

O futuro de Bertioga foi debatido a partir de três eixos centrais: conectividade, desenvolvimento urbano e preservação ambiental. O seminário Bertioga 35 Anos: A Nova Referência em Desenvolvimento Sustentável, promovido pelo Grupo Costa Norte de Comunicação, reuniu lideranças públicas, empresariais e institucionais na sede do Sistema Integrado de Vendas (SIV), na terça-feira (26).

O encontro marcou também o lançamento da revista especial comemorativa dos 35 anos do município e abriu espaço para discussões sobre infraestrutura, mobilidade, mercado imobiliário, segurança, tecnologia, turismo e sustentabilidade.
Entre os temas mais citados, o túnel Santos-Guarujá, a duplicação da rodovia Rio-Santos (SP-055), o aeroporto civil metropolitano do Guarujá, o planejamento territorial e a necessidade de crescimento ordenado em uma cidade que combina expansão econômica com grande área preservada.

Para o presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, Bertioga será diretamente impactada pelas novas conexões regionais. Ele lembrou que a relação entre o Porto de Santos e o município vem de longa data, especialmente pela Usina de Itatinga, construída há 115 anos para abastecer o complexo portuário.
O Túnel Santos-Guarujá trará uma outra configuração para o desenvolvimento regional. E Bertioga será uma das cidades mais beneficiadas com essa infraestrutura patrocinada pelo Porto de Santos”, afirmou Pomini. Segundo ele, o novo cenário deve movimentar comércio, moradia, empreendimentos e investimentos na cidade.
A duplicação da Rio-Santos também foi apontada como uma das obras capazes de reorganizar a mobilidade e acompanhar o crescimento urbano de Bertioga. João Couri Neto, CEO da Concessionária Novo Litoral (CNL), destacou que a concessionária já trabalha em um pacote de melhorias para a rodovia.
Segundo Couri, a previsão é que, até 2030, o trecho seja totalmente duplicado até a região continental de Santos, além da implantação de vias marginais, passarelas e ciclovia. Para ele, as obras são fundamentais porque a rodovia corta Bertioga e tem papel direto na integração entre a serra, o mar e os bairros da cidade.
“Será certamente uma contribuição muito importante para adequar todo esse crescimento urbano que está acontecendo. Nossa rodovia corta a cidade, divide a serra do mar, então temos uma responsabilidade muito grande”, afirmou.
A mobilidade urbana dentro do município também entrou no debate. Marcelo Pepe, diretor do Grupo City, afirmou que o transporte coletivo em Bertioga teve crescimento expressivo nos últimos anos. Segundo ele, a empresa transportava cerca de 4 mil passageiros por dia quando assumiu a operação e hoje registra média de aproximadamente 20 mil.
Pepe destacou a adoção de ônibus elétricos, veículos Euro 6, ar-condicionado e a inauguração do terminal da Riviera como avanços no atendimento aos usuários. “A nossa ideia é, caminhando pouco a pouco, fazer a frota de Bertioga 100% elétrica”, afirmou. Ele também adiantou que a empresa discute com a prefeitura a ampliação de linhas no município.
A conectividade foi outro ponto destacado durante o seminário. Rafael Lopes, gerente territorial da Claro, afirmou que Bertioga e a região estão no foco de investimentos da companhia, tanto pela expansão urbana quanto pelo potencial turístico.
Segundo ele, a empresa mantém mais de mil funcionários na região, entre equipes técnicas e de vendas, além de investimentos em banda larga e telefonia móvel. Para o representante da Claro, obras como o túnel Santos-Guarujá devem ampliar ainda mais a demanda por infraestrutura digital.
“É uma região foco para a gente, chave mesmo, até pelo potencial turístico. Claro é diversão, é conectividade, então nesse processo para a gente é motivo de orgulho estar aqui”, afirmou.
O mercado imobiliário foi apontado como um dos setores mais sensíveis ao novo ciclo de desenvolvimento de Bertioga. José Luiz Hirota, fundador da Costa Hirota, lembrou que atua no município desde 1986, quando Bertioga ainda era distrito de Santos, e avaliou que a cidade vive um momento positivo de crescimento.
Para Pedro Alvez, também da Costa Hirota, o futuro imobiliário de Bertioga já começou. “O futuro não está para vir, já está presente. As coisas já estão acontecendo, tem muita gente vindo para cá”, afirmou. Segundo ele, a infraestrutura montada nos últimos anos ajuda a sustentar a chegada de novos moradores, turistas e investidores.
Entre os desafios, Pedro citou justamente os acessos à cidade, como a duplicação da Rio-Santos, a Mogi-Bertioga e o aeroporto do Guarujá. José Luiz também destacou a importância de cooperação entre iniciativa privada e órgãos públicos para novos projetos, como uma área em desenvolvimento na região de Itaguaré.
A arquiteta Raquel Stefanini também defendeu a importância de encontros como o seminário para discutir o crescimento da cidade. Para ela, Bertioga, considerada a “caçula” da Baixada Santista, tem ganhado visibilidade e precisa debater caminhos para o presente e para o futuro, especialmente diante da força do mercado imobiliário.
Raphael Vinholes, CEO do Grupo MS, que oferece serviços voltados à segurança, avaliou que o crescimento de Bertioga precisa ser acompanhado por planejamento, segurança e preservação ambiental. Ele lembrou que o município tem grande parte do território preservado e pode servir de exemplo para outras cidades da Baixada Santista.
Quando a gente fala de desenvolvimento de segurança, quando fala de cidades inteligentes, é tudo envolvido: não só a segurança, mas também o desenvolvimento de outras estruturas, meio ambiente, tecnologias e até o acesso para a cidade”, afirmou.
Para Sibele Giolo Marques Griffo, empresária e dona da Si Churros, o avanço de Bertioga também tem impacto direto no crescimento de negócios locais. Ela contou que acompanha a cidade há 27 anos e vê um cenário de inovação, novos comércios, projetos de turismo e valorização da natureza.
“A tendência é que aqui seja uma cidade turística muito procurada, muito mais que hoje”, afirmou. Segundo Sibele, o desenvolvimento de Bertioga contribuiu para a expansão da marca, que hoje trabalha em modelo de franquia e mira novos mercados, inclusive fora do Brasil.
Em entrevista à TV Cultura Litoral, o prefeito Marcelo Vilares afirmou que o seminário reforça a necessidade de discutir o futuro da cidade de forma planejada. Segundo ele, Bertioga vive um momento de valorização, crescimento e reorganização urbana, mas precisa manter como diretriz a sustentabilidade.
O que Bertioga quer ser daqui 30, 40 anos? Quais as diretrizes da nossa vocação turística, dessas nossas belezas naturais?”, questionou o prefeito.
Vilares destacou que o município tem forte vocação ambiental, com ampla área preservada, unidades de conservação, trilhas homologadas e atrativos como a vila de Itatinga, o Forte São João, o Parque dos Tupiniquins e a orla da praia.
Para o prefeito, o desafio é transformar esse conjunto de atributos em desenvolvimento sustentável. “Bertioga tem um futuro promissor, então precisa ser bem elaborado, bem discutido e bem planejado para que a gente possa ter uma cidade sustentável”, afirmou.