Um dos desenhos é da famosa Casa Esperança, construção de meados do século XVIII, um rico exemplar da arquitetura colonial

Depois de Santos e Praia Grande entrarem na onda Bobbie Goods, agora foi a vez de uma cidade do litoral norte de São Paulo aderir ao modismo: São Sebastião. Em suas redes sociais, a prefeitura divulgou imagens de famosos cartões-postais da cidade, que se tornaram arte para colorir, o São Seba Goods.
“Entramos na trend dos desenhos pra colorir e criamos versões cheias de identidade com os lugares marcantes de São Sebastião”, escreveu a prefeitura no Instagram. Os desenhos são da Igreja Matriz, no Centro Histórico; de uma bela baleia-jubarte durante salto no Canal de São Sebastião; dos canhões do Centro Histórico; da icônica Casa Esperança e outras cenas do cotidiano caiçara.

A Casa Esperança, localizada também no Centro Histórico (avenida Altino Arantes, 32), é de meados do século XVIII e se constitui em um rico exemplar da arquitetura urbana colonial. Ela é testemunha da prosperidade de São Sebastião e possui a maioria dos aspectos característicos da arquitetura civil e urbana do século XVIII.
Sua construção apresenta fachada simétrica e ornamentação em pedra que seguiam padronização portuguesa contida nas Cartas Régias e nas Posturas Municipais, onde as ruas eram definidas pelos sobrados e casas térreas, devendo estes ocupar limites do terreno.

Com aparência típica portuguesa, a Casa Esperança apresenta distribuição comum à época, quando a produção e uso da casa baseavam-se no trabalho escravo. A residência da família era na parte superior do casarão, já que habitar casa térrea de chão batido, caracterizava a pobreza.
Esse pavimento contava com três salões, a ala nobre utilizada socialmente. O forro de gamela apresenta pinturas com paisagens cariocas, por exemplo, da chegada da família real ao Rio de Janeiro. Contava ainda com alcovas, sala da família, varanda, cozinha e serviços, onde ficavam os escravos. O pavimento inferior do sobrado era utilizado como senzala ou comércio.
A Casa Esperança ficou assim conhecida por volta de 1950, quando pertenceu a uma família de imigrantes italianos que montou um comércio com essa denominação. Ela foi tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em 15 de abril de 1955.
Quanto à “febre” Bobbie Goods, ela começou nos Estados Unidos, a partir dos livros para colorir da ilustradora americana Abbie Goveia. Eles se tornaram um fenômeno nas redes sociais, principalmente no TikTok, onde vídeos de pessoas colorindo os livros viralizaram.

O estilo característico dos Bobbie Goods inclui desenhos de animais fofinhos, em traços simples e cenas do cotidiano. A moda não só agradou as crianças, mas também adultos que buscam uma atividade relaxante para dar uma pausa no uso de telas, em um mundo cada vez mais digitalizado.