LITORAL DE SP

Sequência de feriados, altos preços, trânsito e alertas de temporais derrubam movimento de turistas na temporada

Caraguatatuba, Ubatuba e Ilhabela registraram queda na ocupação hoteleira, enquanto hotéis da capital tiveram aumento de 15% ao absorverem turistas do interior


Reginaldo Pupo
Publicado em 19/02/2026, às 12h12

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Sequência de feriados, altos preços, trânsito e alertas de temporais derrubam movimento de turistas na temporada
Ilhabela teve queda de cerca de 10% na ocupação hoteleira comparada ao ano de 2025 - Eleni Nogueira / CN


Empresários do setor turístico do litoral de São Paulo se queixaram do baixo movimento de turistas na temporada de verão e em plena época de Carnaval, quando, na visão deles, a região deveria estar lotada, como ocorreu em anos anteriores.

Queda, no entanto, também foi sentida em outras regiões do país, especialmente em destinos turísticos consolidados como Búzios (RJ); Fernando de Noronha (PE); Arraial D´Ajuda (BA); Trancoso (BA); Balneário Camboriú (SC), entre outras cidades.

Durante o Carnaval, empresários do setor se queixaram que as cidades do litoral paulista estavam movimentadas, mas que os turistas não estavam gastando.



Por outro lado, em Ubatuba, litoral norte,  alguns comerciantes exibiam nas redes sociais vídeos de praias vazias em horário de pico. “Em pleno Carnaval e a praia vazia. Essa é a situação de Ubatuba agora”, queixou-se o proprietário de um quiosque na cidade.

Queda no movimento de turistas e, consequentemente, no faturamento do trade turístico, deve-se a vários fatores, de acordo com entidades ligadas ao turismo e comerciantes ouvidos pelo Costa Norte. A sequência de feriados prolongados ao longo do ano, preços abusivos, trânsito caótico e alertas de temporaisseriam alguns deles.

“Percebemos duas situações neste Carnaval. A primeira foi a queda no número de turistas que visitaram o litoral neste ano. Como teremos vários feriados prolongados no decorrer de 2026, muita gente preferiu vir para o litoral nos próximos meses. O outro cenário se refere aos turistas que vieram no Carnaval, mas não gastaram. Ou estavam com pouco dinheiro ou economizando para os próximos feriados”, avaliou Gilberto Ferreira de Souza, gerente de um quiosque em Ubatuba. Segundo ele, houve queda de 30% no movimento.



Rede hoteleira

Queda no número de turistas no Carnaval refletiu na ocupação da rede hoteleira no litoral norte. Segundo sondagem da Abih-SP (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), a cidade de Caraguatatuba, por exemplo, teve 76,79% de ocupação neste ano, enquanto em 2025 foi 86,76%. Em 2024, chegou a 90,02%.

Ilhabela também registrou baixa. Neste ano, a ocupação no Carnaval foi de 77,05% ante 86,06% no ano passado, segundo a entidade. Já Ubatuba registrou 74,50% de ocupação neste ano e 81,21% em 2025.

A única cidade que registrou aumento na ocupação hoteleira foi São Sebastião. Foram 87,07% neste ano ante 84,05% no ano passado, segundo a Abih-SP. O ligeiro aumento se deve, segundo a entidade, à realização de shows com grandes nomes da música popular na avenida da praia, que atraiu turistas de outras regiões.



Segundo o vice-presidente da Abih-SP, Rodrigo Tavano, o movimento de turistas na alta temporada, especialmente em Caraguatatuba e Ubatuba, foi muito aquém do esperado. “Detectamos casos de hotéis nessas cidades que tiveram entre 15% e 18% de ocupação abaixo do esperado para o período”, acrescentou.

Ainda de acordo com Tavano, por outro lado, os hotéis da capital paulista registraram 60% de ocupação durante o Carnaval deste ano, aumento de 15% em relação ao ano passado, de 45%. “Houve uma migração considerável de turistas, especialmente do interior, que preferiu curtir o Carnaval em São Paulo, deixando de frequentar as cidades do litoral. E teve paulistano que, neste ano, preferiu não viajar e ficar pela cidade mesmo”, salientou.

Segundo Tavano, o que pode ter motivado a fuga de turistas do litoral paulista foi o trânsito caótico nesta época do ano, quando os deslocamentos entre as cidades e praias levam horas para serem percorridos; e os constantes alertas de temporais severos para a região que, em alguns casos, não se confirmaram.



“Os turistas querem fugir do trânsito e dos momentos de pico de alta temporada. O deslocamento entre Caraguatatuba e Ubatuba é o mais complicado e esta segunda cidade é a mais prejudicada”, relata.

Ainda de acordo com o vice-presidente da Abih-SP, os alertas de temporais severos emitidos pela Defesa Civil ao longo da temporada contribuíram para a queda do movimento. “Isso serve para espantar os turistas e muitos desses alertas foram falsos. O litoral tem uma particularidade. Às vezes, pode estar chovendo no centro da cidade mas, um quilômetro depois, está Sol. Esses alertas atrapalham demais a vida dos turistas”, afirmou.

Tavano disse ter ouvido de turistas queixas em relação aos preços altos praticados por comércios da região. “Bares, restaurantes, quiosques, hotéis e pousadas muitas vezes praticam preços que ficam muito pesados para os turistas. Esse alto custo para permanecer no litoral é outro item que afasta os visitantes”, concluiu.



Baixada Santista

As cidades da Baixada Santista também identificaram diminuição no número de turistas na alta temporada e durante o Carnaval. Para o diretor de Fomento Turístico do Sinhores (Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Baixada Santista e Vale do Ribeira), Kauê Lima, as cidades da região não contam com a tradição do Carnaval.

“Apesar de Santos ser a pioneira do Brasil no quesito Carnaval de rua, esse título de destaque foi se perdendo ao longo dos anos após algumas proibições. Creio que o fato deste ano contar com muitos feriados, não impactou diretamente nesta data, e, sim, uma mudança de comportamento de consumo dos foliões”.

Lima acredita que há diminuição do interesse pelo Carnaval na geração Z. “Isso, por si só, já gera um impacto no turismo nesta data. Fora este novo ponto, há também questões ligadas ao destino, se ele é ou não uma cidade ‘polo’ quando o assunto é Carnaval. Por exemplo, o Rio de Janeiro e São Paulo (capital) bateram recorde de turismo doméstico e internacional neste ano”, finalizou.



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