Embora a experiência de felicidade e tristeza seja individual, tendências globais emergem quando examinadas em grandes amostras de população

O economista David G. Blanchflower, da Dartmouth College, tem realizado diferentes pesquisas nos últimos anos sobre a felicidade humana.
Em uma delas, divulgada em janeiro de 2020, o pesquisador identificou qual seria a idade mais triste da vida - aquele momento no qual a sensação de infelicidade tende a atingir seu pico.
Divulgado pela plataforma de pesquisa do National Bureau of Economic Research (NBER), o estudo teve como base dados de bem-estar de milhares de pessoas, em mais de 130 países, e analisou a relação entre idade e bem-estar ao longo da vida.
Em média, o ápice da infelicidade ocorre por volta dos 47 anos, em países desenvolvidos, e 48 anos, em nações em desenvolvimento, segundo a pesquisa.
Assim, o levantamento identifica o chamado padrão da “curva em U”, no qual os níveis de satisfação tendem a ser maiores na infância e na juventude, caem muito na meia-idade e voltam a subir a partir dos 50 anos, com recuperação gradual da sensação de bem-estar.
Já em pesquisa mais recente, de fevereiro de 2025, realizada em países de língua inglesa, o pesquisador revelou que a felicidade agora aumenta com a idade, e que existe umacrise de bem-estar entre os jovens (18-24 anos), que apresentam níveis de melancolia e infelicidade muito superiores aos adultos de 40 ou 50 anos.
De acordo com a pesquisa, embora a experiência de felicidade e tristeza seja individual, tendências globais emergem quando examinadas em grandes amostras de população.
Análise considerou relatórios de bem-estar de pessoas de múltiplos países, apontando que a infelicidade tende a aumentar gradualmente até a vida adulta e, depois, diminui com o envelhecimento.
Segundo Blanchflower, aos 47 anos, as pessoas se tornam mais realistas, por já terem se dado conta de muitas expectativas não cumpridas ao longo da vida.
Após isso, ao ultrapassar os 50 anos, muitas começam a relatar sentir mais gratidão pelo que têm e menor pressão em relação às expectativas externas.
Esse padrão pode refletir a combinação de pressões econômicas, responsabilidades familiares e questões de saúde que se acumulam ao longo da vida, resultando em uma sensação de maior estresse e menor satisfação durante a meia-idade.
O estudo de Blanchflower também leva em conta como fatores sociais e econômicos se relacionam com o bem-estar.
Geralmente, a chegada dos 40 anos coincide com o auge de responsabilidades financeiras, preocupações com carreira e expectativas familiares não atingidas, elementos que podem contribuir para a sensação de tristeza.
Mesmo assim, a pesquisa ressalta que essa tendência não significa que todos vivenciem essa melancolia da mesma forma. A curva em U é uma média populacional, e experiências individuais variam com base em fatores como saúde física, suporte social, situação econômica e expectativas pessoais.
Ainda conforme os pesquisadores, reconhecer padrões pode ajudar a informar políticas públicas e iniciativas de apoio à saúde mental em diferentes faixas etárias, com foco em terapias que promovam bem-estar ao longo da vida.
Logo, a identificação da idade mais triste da vida não tem o objetivo de desencorajar as pessoas, mas oferecer uma lente para entender melhor como as emoções humanas evoluem ao longo do tempo.