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Psicóloga alerta para impactos da violência urbana na saúde mental dos brasileiros

Efeitos da violência não atingem apenas moradores das comunidades nas quais os confrontos ocorrem, mas também a população em geral e até turistas


Redação
Publicado em 31/10/2025, às 09h00

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Pessoa triste
Quando a violência se torna parte da rotina, o cérebro entra em modo de sobrevivência - Imagem ilustrativa/Unsplash


Os recentes confrontos no Rio de Janeiro, com dezenas de mortos e uma cidade em estado de tensão, reacenderam o debate sobre os impactos da violência urbana na saúde mental dos brasileiros.

Para a psicóloga e neuropsicóloga Patrícia Strebinger, o que estamos testemunhando é mais do que um problema de segurança pública, é um fenômeno de trauma coletivo.

Quando a violência se torna parte da rotina, o cérebro entra em modo de sobrevivência. Vivemos em alerta constante, como se o perigo pudesse surgir a qualquer momento. Isso desgasta emocionalmente e afeta desde o sono até a nossa capacidade de tomar decisões”, explica a psicóloga.

Strebinger ressalta que os efeitos não atingem apenas os moradores das comunidades nas quais os confrontos ocorrem, mas também, a população em geral e até turistas. “O medo é contagioso. Mesmo quem não está diretamente exposto sente a insegurança, a impotência e o desamparo”, completa.



A psicóloga lista algumas estratégias práticas para reduzir o impacto emocional diante de notícias e situações de violência, tanto para a população, quanto para os combatentes e a sociedade em geral, que assiste apreensiva o desfecho do confronto:

  • Evite a exposição contínua a notícias violentas. Repetir imagens traumáticas reforça o medo;
  • Pratique respiração consciente. Inspire profundamente, segure e expire lentamente — isso ajuda a acalmar o sistema nervoso;
  • Mantenha rotinas e pequenos rituais diários. Eles devolvem ao cérebro a sensação de controle;
  • Converse sobre o que sente. O silêncio alimenta o medo; falar alivia e organiza emoções;
  • Proteja as crianças. Explique o que acontece com linguagem simples e assegure que há adultos cuidando da situação;
  • Apoie os profissionais de segurança. Eles também precisam ser acolhidos emocionalmente.

Por fim, a Strebinger explica que, infelizmente, não é possível evitar que situações como essa que estamos presenciando ocorram, mas, mesmo que seja difícil, quando se está dentro do confronto, é possível e indispensável, controlar as emoções e amparar-se na única coisa que pode nos proteger dos traumas, nossa mente. “A guerra do lado de fora pode nos ferir. Mas a guerra dentro de nós, essa sim, precisamos aprender a desarmar. Todo o resto, está fora do nosso controle”, conclui Patrícia.

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