Estudo chinês acompanhou 120 mil pessoas por uma década; versões diet e zero também trazem riscos e podem elevar o desejo por alimentos calóricos

O hábito de consumir bebidas com açúcar ou adoçante recebeu um alerta grave da ciência. Um estudo feito com mais de 120 mil pessoas revelou que essas opções aumentam em 50% o risco de esteatose hepática (gordura no fígado).
Para estruturar a pesquisa, os cientistas monitoraram o histórico médico dos voluntários ao longo de dez anos. Os dados associados ao levantamento revelaram uma realidade preocupante: mesmo os indivíduos que ingeriam pequenas porções diárias dessas bebidas apresentaram uma probabilidade muito maior de desenvolver a patologia.
De acordo com o gastro-hepatologista Rogério Alves, o grande vilão das bebidas industrializadas comuns é o uso de componentes químicos de alto índice glicêmico. O médico explica como o processo ocorre dentro do corpo humano:
As bebidas ricas em açúcar no geral possuem um açúcar artificial, que é a frutose, que tem um alto índice glicêmico e acaba gerando a esteatose hepática, a gordura no fígado. E esses alimentos ricos em açúcar normalmente vêm junto ao ganho de peso. O ganho de peso ainda é a principal causa para a gordura no fígado."
Quem recorre às opções com zero caloria na tentativa de manter a silhueta enfrenta uma armadilha metabólica. Os pesquisadores internacionais notaram que as pessoas que consumiam bebidas com adoçantes artificiais apresentaram 10% mais acúmulo de gordura no fígado do que os indivíduos que preferiam as versões com açúcar comum.
O processo de indução ao erro alimentar é desencadeado por uma resposta hormonal do sistema digestivo, como detalha Rogério Alves:
"Os autores concluem que essas bebidas e adoçantes podem causar um pico de insulina. A pessoa consome e ele acaba causando um pico de insulina. Isso gera um desejo maior por outros alimentos ricos em gorduras e açúcares, fazendo a pessoa acabar comendo outros alimentos, embora faça uso da bebida não açucarada e com adoçante."
A solução para blindar o sistema hepático não exige investimentos financeiros altos, mas sim uma mudança de comportamento na hora das compras. Substituir os refrigerantes por misturas caseiras aromáticas e sem conservantes reduz as chances de danos ao órgão.
A nutricionista Thais Barca aponta caminhos práticos para quem não abre mão do preenchimento e da sensação do gás durante as refeições:
*Com informações da jornalista Maria Luísa Fragoso, para o Jornal Litoral, da TV Cultura Litoral.