Laser de baixa intensidade aliado à orientação profissional acelerou a cicatrização de fissuras nos mamilos em 45%, reduzindo o desconforto pós-parto

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Texas A&M University, dos Estados Unidos, revelou que a aplicação de laser de baixa intensidade acelera a cicatrização dos mamilos e reduz significativamente a dor de mulheres durante o período de amamentação.
A técnica, combinada com a orientação profissional sobre o aleitamento, surge como uma alternativa para evitar o desmame precoce de bebês. O artigo científico foi publicado no periódico American Journal of Medical and Clinical Sciences.
A pesquisa ocorreu entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024, na maternidade Dona Francisca Cintra Silva, da Santa Casa de São Carlos, interior paulista.
Durante os testes, as voluntárias pós-parto com lesões e dores foram divididas em dois grupos: um recebeu apenas orientações tradicionais de amamentação; o outro aliou os mesmos cuidados à terapia com laser de baixa intensidade, conhecida como fotobiomodulação.
Os resultados apontaram que a área das lesões diminuiu cerca de 45,6% no grupo tratado com o laser, contra 25,8% no grupo que recebeu somente os conselhos técnicos. A intensidade da dor também caiu de forma muito mais expressiva entre as participantes submetidas à terapia com luz.
O diferencial do tratamento está no equipamento utilizado, que recebeu um adaptador desenvolvido no Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP). "O dispositivo é capaz de ampliar a área de irradiação da luz e distribuir o feixe de forma uniforme sobre o mamilo e a aréola", explica Fernanda Mansano Carbinatto, pesquisadora do IFSC e do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica (Cepof), e uma das autoras do estudo.
A tecnologia evita o contato direto com a pele lesionada e reduz o risco de efeitos adversos, como aquecimento excessivo e desconforto”, afirma Fernanda.
De acordo com os cientistas, as fissuras e dores mamilares figuram entre as principais causas para a interrupção precoce do aleitamento materno — considerado essencial pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a saúde da mãe e do bebê. Os problemas costumam ser gerados pela pega incorreta da criança, posicionamento inadequado ou falta de apoio preventivo.
Além de acelerar a regeneração dos tecidos e diminuir o risco de infecções de forma indolor e não invasiva, o tratamento apresentou impactos emocionais positivos. As mães submetidas à terapia relataram alívio quase imediato, diminuição do medo de amamentar e maior tranquilidade no pós-parto, o que fortalece o vínculo com o recém-nascido.