Pesquisa internacional, com participação da US, acompanhou 15 mil idosos por 12 anos; caminhadas e jardinagem duas vezes por semana diminuem risco em até 13%

Manter-se fisicamente ativo ao longo dos anos reduz de forma significativa o risco de desenvolver sintomas depressivos na velhice. A conclusão é de um estudo internacional que analisou dados de mais de 15 mil pessoas com 50 anos ou mais, acompanhadas por até 12 anos, no Reino Unido e nos Estados Unidos.
A investigação foi conduzida por pesquisadores do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP-USP) e do King’s College London, com o apoio da Fapesp.
Para a análise, foram cruzados dados de dois grandes censos de envelhecimento: o Estudo Longitudinal Inglês sobre Envelhecimento (ELSA) e o Estudo sobre Saúde e Aposentadoria (HRS), nos EUA.
Para contornar distorções comuns em pesquisas de longo prazo, como as diferenças de renda, ou histórico de doenças entre os voluntários, os cientistas aplicaram uma metodologia estatística chamada "emulação de ensaio-alvo" (target trial emulation). O algorítmo corrigiu as desigualdades matematicamente, para projetar o impacto real dos hábitos no cérebro.
Os pesquisadores simularam dois cenários de rotinas semanais ao longo de 12 anos, e identificaram quedas consistentes nos índices de depressão:
De acordo com o estudo, atividades físicas em intensidades menores do que as diretrizes padronizadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que sugere 150 minutos semanais, já se mostram eficazes. Movimentos simples do cotidiano, como caminhar ou praticar jardinagem, entram na categoria moderada e são altamente benéficos.
Os autores apontam que o maior gargalo na terceira idade não é o tipo de exercício, mas, sim, a continuidade da prática. Estratégias rígidas costumam falhar, enquanto atividades flexíveis, prazerosas e que estimulam a interação social geram melhores resultados de humor e de adesão.
A depressão em idosos é um problema em crescimento que costuma ser negligenciado por ser confundido com o envelhecimento natural. Com base nos dados, os pesquisadores defendem que as políticas públicas de saúde deveriam focar em tirar os indivíduos do sedentarismo total, já que pequenas doses de movimento geram ganhos expressivos na saúde funcional e mental da população idosa.