FAUNA SILVESTRE

Maritaca pintada como papagaio; tráfico de aves vira alerta sobre criação irregular

Ibama resgata aves pintadas no Rio de Janeiro; especialista explica as diferenças entre espécies e exigências para a criação legalizada


Redação
Publicado em 22/07/2026, às 19h49

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Maritacas pintadas apreendidas
Maritacas são aves comuns nas áreas urbanas, mas a captura e criação sem autorização configuram crime ambiental - Reprodução/Instituto Vida Livre


Na última semana, traficantes tornaram-se alvo de uma operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro, ao tingirem as penas da cabeça de três maritacas de amarelo.

Ação criminosa modificou a aparência das aves para simular papagaios e, assim, comercializá-las por preços mais altos no mercado clandestino. Embora o flagrante ocorra fora do estado, a presença constante dessas aves no litoral de São Paulo desperta o interesse e levanta dúvidas sobre a posse legal.

Muito comuns em áreas urbanas, as maritacas costumam visitar quintais, telhados e árvores frutíferas nas cidades. A proximidade e o comportamento dócil, no entanto, não autorizam a captura. Conforme a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), retirar filhotes da natureza, guardar ou adquirir animais silvestres sem permissão dos órgãos competentes configura crime ambiental, sujeito a sanções e multas.



Para conviver com uma maritaca, maitaca ou papagaio como animal de estimação dentro da lei, o tutor precisa seguir diretrizes rigorosas de adoção. O médico-veterinário Danilo Sato, do quadro É Pet?, da TV Cultura Litoral, alerta que a aquisição deve ocorrer de maneira exclusiva em criadouros e lojas autorizadas pelo órgão ambiental.

Quando o animal é legalizado e adquirido em um criatório credenciado, ele vem com anilha de identificação, documentação de origem e nota fiscal, tudo certinho para autorizar você a ter esse animalzinho em casa”, orienta o especialista.

Diferenças entre as aves 

O alto valor de mercado de espécies procuradas, como o papagaio-verdadeiro e o papagaio-do-mangue, motivou a fraude dos traficantes no Rio de Janeiro. A artimanha consistia em tingir as penas das maritacas para enganar os compradores, vendendo aves menores e mais comuns pelo preço de papagaios caros.

Na biologia, os termos "maritaca" e "maitaca" estão corretos e servem para nomear o mesmo grupo de aves (psitacídeos), que são parentes menores dos papagaios. A variação do nome popular muda apenas conforme a tradição de cada região do Brasil.



Entre essas aves menores que ganham espaço como pets legalizados, destacam-se a maitaca-verde, que possui cabeça em tons azulados e mede cerca de 25 centímetros, e o periquitão-maracanã, que exibe manchas vermelhas sob as asas e alcança 32 centímetros.

Independentemente da espécie escolhida, o manejo doméstico exige disciplina. O cardápio diário dessas aves baseia-se em ração extrusada específica, com o complemento de porções balanceadas de frutas e legumes.

Caso o morador encontre filhotes aparentemente abandonados ou aves feridas na natureza, a orientação é nunca levar o animal para casa. O ideal é observar se os pais retornam ao ninho ou acionar a polícia militar ambiental para o resgate seguro e encaminhamento a centros de reabilitação.



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