ESTUDO INTERNACIONAL

Cobra-de-duas-cabeças usa o próprio crânio para cavar e atrai cientistas

Animal inofensivo, que se locomove tanto para frente quanto para trás, guia pesquisa para a criação de robôs e avanços na medicina

Cobra-de-duas-cabeças usa o próprio crânio para cavar e atrai cientistas
Comportamento incomum chamou a atenção da ciência e une diversos países - Diogo B. Provete/Wikimedia Commons


A cobra-de-duas-cabeças passa a maior parte da vida debaixo da terra e utiliza o próprio crânio como ferramenta para construir galerias. Esse comportamento incomum chamou a atenção da ciência e transformou o animal no foco de um estudo inédito, que une o Brasil a pesquisadores do Reino Unido, Bélgica e Dinamarca.

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O réptil, que pertence ao grupo das anfisbenas, recebe o apelido popular porque a ponta de sua cauda se assemelha à forma da cabeça.Essa característica permite que o bicho se desloque tanto para frente quanto para trás nos túneis subterrâneos. Apesar de inofensivos, muitos morrem atropelados ou abatidos por pessoas que os confundem com serpentes perigosas.



Segredos do subsolo

A equipe brasileira da USP de Ribeirão Preto testa a força de mordida e de enterramento em espécimes vivos, além de mapear o DNA do animal. O pesquisador Vinicius Anelli explicou ao Jornal da USP que o corpo alongado e sem membros facilita a vida debaixo da terra. Durante a locomoção, a musculatura se projeta e as escamas se movimentam em seguida, em um efeito de serpentina.

Acompanhar a rotina debaixo do solo impõe dificuldades extremas para os biólogos, mas as técnicas atuais de imagem permitem observar as fibras e a arquitetura dos ossos em nanoescala. Portanto, o consórcio internacional consegue entender exatamente como a cabeça resiste à pressão de perfurar solos rígidos.

Os dados extraídos da anatomia da cobra de duas cabeças servem para a biologia e inspiram inovações tecnológicas. O projeto fornece base para a criação de robôs escavadores úteis na engenharia civil e em resgates, além de revelar padrões genéticos importantes para o desenvolvimento de tecidos na área médica.



* Conteúdo escrito com base na matéria de Rose Talamone, no Jornal da USP, que aborda o estudo 'Sistema musculoesquelético de animais escavadores que começam pela cabeça: uma abordagem interdisciplinar'.

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