EVOLUÇÃO

Jararaca de ilha do litoral de SP supera isolamento e até tiros de canhão

Sem roedores na ilha, espécie endêmica de Alcatrazes precisou mudar a dieta para centopeias, lacraias, pequenos lagartos e anfíbios, para evitar extinção

Jararaca de ilha do litoral de SP supera isolamento e até tiros de canhão
Jararaca-de-alcatrazes é uma espécie endêmica da ilha do litoral de SP - Fausto Pires


O Arquipélago de Alcatrazes, em São Sebastião, litoral de São Paulo, guarda uma história de sobrevivência extrema. Segundo informações do ICMBio, a espécie é parente próxima da jararaca continental (Bothrops jararaca). Isolada no período do Pleistoceno, a jararaca-de-alcatrazes (Bothrops alcatraz) evoluiu de forma totalmente diferente de suas parentes do continente.

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Sem roedores no arquipélago, a serpente precisou adaptar seu cardápio para centopeias, lacraias, pequenos lagartos e anfíbios. A espécie também encolheu, com isso, os machos atingem no máximo 46 centímetros e as fêmeas não passam de 50 centímetros. A serpente, endêmica da Ilha de Alcatrazes, desenvolveu também uma coloração mais escura, cabeça alongada e cauda curta.



Oposição e resistência

A adaptação biológica foi apenas o primeiro desafio. Por muito tempo, a Marinha utilizou a ilha para treinos de tiros de canhão. Os bombardeios causavam incêndios frequentes na área florestal, destruindo o habitat de mais de 1.300 espécies.

A mobilização de pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios (RAN) e outras entidades forçou a mudança dessa prática militar no local. Assim, a proteção avançou, e a área se transformou no Refúgio da Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, em 2016.

A jararaca-de-alcatrazes permanece classificada como Criticamente em Perigo (CR), o nível de alerta máximo antes da extinção definitiva.



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