Machos produzem sons complexos durante a reprodução, e pesquisadores acompanham as mudanças para estudar o comportamento das populações

O canto das baleias-jubarte é um dos sons mais conhecidos do oceano, e também um dos fenômenos que ainda são objetos de pesquisas entre pesquisadores. Longos, complexos e organizados em padrões, os cantos são produzidos principalmente pelos machos e podem ser ouvidos a grandes distâncias debaixo d'água.
Mais do que uma sequência de sons, o canto apresenta uma estrutura organizada. Pesquisadores descrevem unidades menores, chamadas de frases, que formam temas e aparecem em sequências específicas. O conjunto dessas estruturas compõe o que é considerado uma canção.
As baleias-jubarte também não repetem necessariamente a mesma versão do canto para sempre. Registros acústicos mostram que os cantos mudam de um ano para outro, com alterações nas sequências e nos sons. Em determinadas áreas de reprodução, os machos de uma mesma população costumam compartilhar a versão atual da canção.
A principal explicação científica está relacionada ao comportamento reprodutivo. Os machos cantam principalmente nas áreas de reprodução, e pesquisadores acreditam que o canto tenha relação com o acasalamento.
O Projeto Amigos da Jubarte aponta que o som pode funcionar como uma forma de cortejo, enquanto outras pesquisas também consideram possíveis funções relacionadas à interação entre os machos. O canto pode estar associado à demonstração de presença e à organização social entre indivíduos.
Ainda não existe uma resposta definitiva para todas as funções do canto. Pesquisas citadas pelo Projeto Amigos da Jubarte indicam que a complexidade dos sons, as repetições, as pausas e as alterações na melodia podem estar relacionadas a uma forma mais ampla de comunicação social. Entre as possibilidades estudadas estão informações sobre identidade, estado emocional ou intenção.
Um dos aspectos mais interessantes é que o canto não permanece exatamente igual. As jubartes de uma mesma população compartilham padrões de canto, mas esses padrões podem ser modificados ao longo do tempo.
Novos sons podem surgir, outros desaparecerem e diferentes sequências podem se transformar. Dessa forma, a população passa a compartilhar uma versão modificada da canção. O acompanhamento dessas mudanças permite aos pesquisadores observar o comportamento das baleias e compreender melhor a dinâmica das populações.
O Instituto Verde Azul destaca que registrar e comparar os cantos ao longo dos anos é uma ferramenta importante para estudar esses animais. A pesquisa acústica também permite acompanhar baleias em locais onde a observação visual seria mais difícil. Em projetos de monitoramento, os pesquisadores analisam as gravações para identificar padrões e mudanças nas vocalizações.
Embora o canto seja especialmente associado às áreas de reprodução, registros acústicos também mostraram que os machos podem cantar em áreas de alimentação e durante a migração. A descoberta ampliou as perguntas sobre a função desse comportamento.
Segundo pesquisas com gravações subaquáticas mostraram que o canto ocorre também fora dos locais de reprodução. Há diferentes hipóteses para explicar esse comportamento, incluindo a possibilidade de os machos estarem praticando a versão mais recente da canção ou utilizando o canto em interações sociais.
O site Discovery of Sound in the Sea também registra que os cantos são produzidos pelos machos nas áreas de reprodução e apresentam sequências complexas e repetitivas, com sons que mudam de um ano para outro. A plataforma disponibiliza ainda gravações de cantos de baleias-jubarte para que seja possível conhecer o som produzido pela espécie.
Ouvir as jubartes também se tornou uma forma de pesquisar esses animais. O acompanhamento dos sons permite comparar gravações feitas em diferentes períodos e observar como as canções se transformam.
Para o Instituto Verde Azul, esse tipo de monitoramento ajuda a compreender o comportamento, a comunicação e a dinâmica das populações de baleias-jubarte. A mudança do canto ao longo do tempo transforma cada gravação em uma espécie de registro da história acústica daquela população.
Apesar dos avanços, ainda existem perguntas sem resposta sobre o significado exato de cada elemento das canções. É justamente essa combinação entre padrões conhecidos e mistérios ainda não solucionados que faz do canto das jubartes um dos fenômenos mais estudados da comunicação entre grandes animais marinhos.