Mamífero marinho percorre grandes distâncias em busca de alimento e passa parte do ano no mar antes de retornar às áreas de reprodução

O lobo-marinho-subantártico (Arctocephalus tropicalis), também conhecido como lobo-marinho-de-peito-branco, é um mamífero da família Otariidaeencontrado no hemisfério Sul. A espécie ocorre nas regiões sul dos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico.
No Brasil, o animal pode ser observado principalmente durante seus deslocamentos pelo litoral. Durante o inverno, os machos permanecem no mar e retornam às áreas costeiras na primavera, período associado à reprodução.
As colônias reprodutivas mais próximas do Brasil estão localizadas no arquipélago de Tristão da Cunha, segundo as informações sobre a espécie.
Uma das características que ajudam a reconhecer o animal é a diferença de coloração entre o corpo e as regiões do peito, garganta e face. A pelagem apresenta, de maneira geral, tons de cinza e marrom, enquanto essas áreas podem apresentar uma coloração pardo-amarelada.
A espécie também possui uma mecha de pelos no alto da cabeça, semelhante a um topete. O lobo-marinho-subantártico tem porte menor que o leão-marinho, além de focinho alongado e pelagem mais macia.
Os machos podem chegar a 2 metros de comprimento e pesar cerca de 160 quilos. As fêmeas têm aproximadamente 1,40 metro e pesam cerca de 50 quilos.
O corpo tem formato fusiforme e é coberto por pelos, que são renovados anualmente. Outra característica da espécie é a presença de orelhas externas e o uso dos membros anteriores para se locomover em terra.
A presença desses animais na costa está relacionada aos deslocamentos realizados em busca de alimento. As fêmeas com filhotes fazem viagens ao mar para se alimentar e depois retornam à terra.
Durante o verão, uma viagem de alimentação pode durar aproximadamente seis a 10 dias. No inverno, esse período aumenta e pode chegar a 23 a 28 dias. Entre uma viagem e outra, as fêmeas passam cerca de quatro dias em terra com os filhotes.
As distâncias percorridas também variam conforme a estação. No verão, podem chegar a 600 quilômetros a partir das áreas de reprodução. No inverno, podem alcançar aproximadamente 1.800 quilômetros. A espécie prefere praias rochosas, com pedras abundantes e sombra.
A alimentação inclui diferentes animais marinhos. Entre os principais itens estão peixes, crustáceos, cefalópodes e pinguins. Para procurar alimento, os adultos podem fazer mergulhos de aproximadamente 16 a 19 metros de profundidade, em águas com temperatura superior a 14 °C, permanecendo submersos por até quatro minutos.
O lobo-marinho-subantártico possui um sistema de reprodução baseado em haréns. Os machos defendem territórios que podem reunir entre seis e 20 fêmeas. Os machos chegam às áreas costeiras em outubro e disputam os territórios reprodutivos. Depois, permanecem na defesa do espaço e do harém até que as fêmeas sejam acasaladas.
Os filhotes nascem durante a primavera e o verão do hemisfério Sul, entre outubro e janeiro. A gestação dura cerca de 11 a 12 meses, e as fêmeas normalmente têm um filhote por ano. O período de amamentação pode chegar a 11 meses.
Os machos atingem a puberdade entre três e quatro anos, mas chegam à idade adulta completa entre dez e 11 anos. As fêmeas atingem a maturidade sexual por volta dos cinco anos.
As fêmeas utilizam a comunicação sonora para localizar e reconhecer os filhotes. Durante as viagens em busca de alimento, elas utilizam uma chamada de contato que provoca respostas dos filhotes.
Como cada filhote possui uma vocalização própria, a mãe consegue distinguir seu descendente dos demais. A visão e o olfato também participam desse processo, mas em menor escala.
Os machos, por sua vez, utilizam comunicação auditiva, visual e tátil durante as disputas por territórios. Vocalizações, posturas de dominância, ameaças e confrontos físicos fazem parte desse comportamento.
A história do lobo-marinho-subantártico também envolve um período de intensa exploração humana. Lobos-marinhos foram caçados em diferentes partes do mundo entre os séculos XVIII e XX, levando várias espécies perto da extinção.
A caça tinha como principais interesses a pele e a gordura dos animais. O óleo extraído da gordura era utilizado na iluminação pública, como lubrificante e na produção de sabão, tintas e roupas. Com a redução e a regulamentação da caça, as populações de diferentes espécies conseguiram se recuperar.
Atualmente, porém, a interferência humana continua sendo apontada como um fator de risco. Entre os problemas estão maus-tratos, aproximação inadequada, presença de animais domésticos e tentativas de forçar os animais a voltar para a água.
Há registros de lobos-marinhos que sofreram agressões, incluindo ferimentos provocados por tiros e fraturas.
Os machos passam grande parte do ano no mar ou em colônias com outros machos. Quando chegam aos territórios de reprodução, permanecem mais ativos durante esse período. O comportamento também pode variar conforme a temperatura.
Machos que não estão se reproduzindo podem apresentar hábitos diferentes de acordo com as condições ambientais, alternando períodos de atividade no mar e descanso em terra. As fêmeas, por outro lado, alternam períodos em terra com os filhotes e viagens ao mar para buscar alimento.
Os filhotes permanecem no local de reprodução antes do desmame e passam parte do tempo na água. Conforme crescem, desenvolvem a capacidade de realizar mergulhos progressivamente mais profundos.
Ao encontrar um lobo-marinho na praia, não toque, não jogue água e não tente empurrar o animal de volta ao mar. Também é importante manter distância, evitar aglomerações e afastar cães e outros animais domésticos.
A recomendação é acionar uma equipe especializada para avaliar as condições do animal. O atendimento é dividido entre instituições que atuam em diferentes trechos do litoral paulista.
O Instituto Argonauta atua no trecho do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) entre São Sebastião e Ubatuba, abrangendo o litoral norte. A instituição disponibiliza os telefones (12) 3833 4863 e (12) 3834 1382, além do celular (12) 99785 3615 para o serviço SOS Animais Marinhos.
O Instituto Gremar gerencia o Centro de Despetrolização e Reabilitação (CRD) localizado em Guarujá e atua no monitoramento e atendimento de animais marinhos na Baixada Santista. Para acionar o serviço de resgate de mamíferos, tartarugas e aves marinhas, o contato é 0800 642 3341 e (13) 99711 4120.
O Instituto Biopesca é responsável pelo trecho 08 do PMP-BS, que compreende Praia Grande a Peruíbe. Para solicitar o resgate de mamíferos, tartarugas e aves marinhas, vivos debilitados ou mortos, os contatos são 0800 642 3341, em horário comercial, e (13) 99601 2570, disponível 24 horas para WhatsApp e chamadas a cobrar.
Importante: em uma situação de emergência, o mais importante é não tentar resgatar ou transportar o lobo-marinho por conta própria. A equipe especializada deve avaliar se o animal está apenas descansando ou se precisa de atendimento.