Somente no Guarujá, foram recolhidas 8,5 toneladas de resíduos sólidos, dos quais 6 toneladas dos oceanos, e 2,5 toneladas, de manguezais e ilhas

Preservar o ambiente em que vivemos é uma luta que deveria ser de todos. Proteger a fauna, a flora, os mares são questões sempre em destaque, para que a conscientização cresça cada vez mais entre a sociedade. Criado em 2021, o programa Mar Sem Lixo tem alcançado números expressivos na retirada de resíduos.
O projeto recolheu 23,1 toneladas de lixo, entre novembro do ano passado e junho deste ano. Somente dos oceanos, foram 9,9 toneladas. Ilhas e manguezais somaram 13,2 toneladas. A cidade do Guarujá foi responsável por 8,5 toneladas de resíduos sólidos, das quais 6 toneladas dos oceanos, e 2,5 toneladas, de manguezais e ilhas.
O objetivo é compensar os pescadores pelo serviço de limpeza do seu ambiente por meio do Pagamento por Serviço Ambiental (PSA). A iniciativa é da Fundação Florestal (FF) da Secretaria de Meio Ambiente,Infraestrutura e Logística (Semil). Durante o período, foram pagos cerca de R$213,1 mil aos pescadores cadastrados.
Implantado inicialmente como piloto, nas cidades de Ubatuba, Cananeia e Itanhaém, em novembro do ano passado o programa entrou em vigor, ampliado de três para seis municípios do litoral paulista, inclusive Bertioga, São Sebastião e Guarujá.
Atualmente, são 226 pescadores cadastrados. O lixo precisa ser levado ao Ponto de Recebimento de Resíduos Retirados do Mar (PRRM). É preciso que o material cumpra alguns requisitos de comprovação de que foi retirado do mar. Depois, os resíduos são pesados e computados em um aplicativo do agente operacional responsável pela base de coleta.
Maria Lanza, gestora da Área de Proteção Ambiental (APA) Marinha do litoral centro, na Fundação Florestal, explicou que todo o processo de apresentação do resíduo retirado pelos pescadores do mar ao agente operacional é filmado. “O pescador também traz dados da pescaria. Então, onde ele pescou, quantos lances ele deu, quanto demorou. Esses dados são extremamente importantes, porque o programa tem um componente só voltado à pesquisa”.
Os pescadores do arrasto de camarão recebem um cartão alimentação, no qual o governo paga até 100kg, um pouco mais de 650 reais mensais. No Guarujá, são 64 pescadores de arrasto de camarão que participam do programa. Durante o período de defeso, os pescadores recolhem o lixo dos manguezais.
Segundo a Fundação, grande parte dos pescadores de Guarujá participavam do projeto municipal Nossos Mares, que tinha o mesmo objetivo do programa do governo estadual, e migraram para o Mar Sem Lixo. O agente responsável pela triagem da coleta no Guarujá, Jackson Xavier da Silva, além de cuidar do recolhimento, é a quarta geração de uma família de pescadores, o que, segundo ele, facilitou o trabalho. Ele enfatizou a importância de um projeto como este e a necessidade de políticas de educação ambiental para reduzir ainda mais a quantidade de resíduos jogados ao mar. “A gente ouve uma frase, que eu não gosto e eu critico muito, que é enxugar gelo. É errado. Só no Guarujá, foram retiradas, em três meses, mais de três toneladas de lixo do fundo do mar. Não é enxugar gelo. São três toneladas a menos”.
Para Maria Lanza, os benefícios do programa estão além do impacto financeiro para os pescadores. Isso porque, a pesca de arrasto de camarão atua no fundo do mar, assim, além de ajudar na limpeza, contribui para entender melhor problema, de "conseguir ter metodologias bem mais assertivas para resolver o impacto".