REFERÊNCIA GLOBAL

Cubatão apresenta à COP30 sua experiência de restauração dos manguezais

Referência em recuperação ambiental, município leva à COP30 projetos de restauração de manguezais e integração entre habitação e meio ambiente

manguezal no litoral paulista
Restauração dos manguezais em Cubatão alia habitação, preservação ambiental e geração de créditos de carbono azul - Arquivo CN / Pedro Rezende


Cubatão, integrante da Baixada Santista, litoral paulista, participa da COP30 como parte da Blue Zone, área que concentra os debates técnicos e científicos do evento mundial sobre o clima.

Cubatão apresenta painel na COP30 e amplia interlocução internacional

O município apresenta iniciativas de mitigação e adaptação reconhecidas nacional e internacionalmente, como a integração entre habitação e meio ambiente, e a recuperação de ecossistemas costeiros.



A cidade consolidou-se como referência em recuperação ambiental e gestão de manguezais, com destaque para a restauração de 3 milhões de metros quadrados de áreas degradadas nas regiões da Vila Esperança e da Vila dos Pescadores. Esses projetos combinam ordenamento territorial e preservação permanente.

Cubatão revela seu potencial como destino de ecoturismo no litoral paulista

Os manguezais, considerados ecossistemas-chave, funcionam como barreira natural contra ressacas, abrigam espécies ameaçadas e têm grande capacidade de sequestro de carbono.



Para o secretário de Meio Ambiente, Segurança Climática e Bem-estar Animal, Cleiton Jordão, “essa preservação será garantida com mecanismos administrativos, como a criação de unidades de conservação de uso integral. Além da proteção, isso abre caminho para o município gerar créditos de carbono, em especial, os de carbono azul, de alto valor no mercado internacional”.

Em termos de mitigação climática, os manguezais contribuem para o que é conhecido como carbono azul. Suas densas vegetações e solos anaeróbicos sequestram e armazenam dióxido de carbono em quantidades até cinco vezes maiores do que as florestas tropicais terrestres, com capacidade de retenção por milênios. Essa proteção e restauração dos manguezais de Cubatão contribuem diretamente para a descarbonização global.

ave guará no mangue
O guará-vermelho é símbolo de recuperação ambiental de Cubatão - Pedro Rezende



Segundo Jordão, as ações ambientais também fortalecem o ecoturismo local, com a observação do guará-vermelho, ave símbolo da recuperação ambiental de Cubatão, e o retorno de espécies como caranguejos, ostras, camarões e peixes. Ele ressalta que os resultados são fruto da integração entre as Secretarias de Habitação e Meio Ambiente, que atuam de forma complementar.

Parcerias estratégicas

O município também avança em parcerias voltadas à sustentabilidade. Um convênio firmado com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), no âmbito do programa Centro de Ciência para o Desenvolvimento – Cidades Carbono Neutro, prevê diagnóstico ambiental para identificar ativos e passivos relacionados ao estoque de carbono e às emissões de gases de efeito estufa. O estudo, com duração de cinco anos, apoiará o município na adoção de práticas de mitigação e adaptação climática.

“O convênio com o IPT possibilita que Cubatão avance na pauta ambiental. Partindo desse estudo, será possível identificar quais as mitigações necessárias devam ser postas em prática para que atinjam a redução de poluentes, de forma a conquistar maior equilíbrio na sustentabilidade ambiental da nossa cidade, inclusive com impactos positivos para a região”, resume o secretário.



O mercado de créditos de carbono já está regulamentado no Brasil e é discutido globalmente em bolsas de valores. Indústrias que não conseguem mitigar todas as suas emissões precisam compensar comprando créditos de áreas verdes preservadas, um caminho que Cubatão busca trilhar a partir da valorização de seus ecossistemas.

Engajamento comunitário

mangue
Voluntários promovem mutirões de limpeza em rios e mangues de Cubatão - Secom Cubatão

A recuperação dos manguezais e o incentivo ao ecoturismo fazem parte de um modelo que une inclusão social e preservação ambiental. Iniciativas comunitárias fortalecem esse processo, como o projeto Limpa Rio, criado em 1988 por pescadores, que já retirou toneladas de resíduos dos rios e mangues.



O presidente do projeto, Dartanham Palmeira, explica: “Percebemos nitidamente os resultados, com o aumento de caranguejos, ostras, peixes, camarões e, principalmente, do guará-vermelho, que voltou a habitar nossos manguezais”.

Outra iniciativa é da Associação de Monitores Ambientais do Pinheiro do Miranda (Amap), que, desde 2022, promove ações de limpeza, plantio de mudas nativas e educação ambiental. “Já atendemos mais de 1.200 alunos da rede pública”, destaca Augusto Lima Guerra, integrante da associação, ao reforçar o papel da formação ambiental entre crianças e adolescentes.

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