PERIGO NO MAR

Bagres mortos encalham em praias e ferem banhistas no litoral de SP

Diversos peixes se acumularam nas praias e feriram banhistas; prefeitura acionou órgãos ambientais para investigar a mortandade no litoral

Bagres mortos encalham em praias e ferem banhistas no litoral de SP
Bahistas precisaram de atendimento médico para remoção do ferrão - Reprodução/Fábio Ramos e redes sociais


Grande quantidade de bagres (Catharops spixii) mortos espalhados em praias de Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, preocupou moradores e mobilizou autoridades no fim de semana, após os peixes ferirem banhistas com ferrões, que permanecem venenosos mesmo depois da morte do animal.

Os primeiros incidentes ocorreram na praia Martim de Sá, onde ao menos três pessoas sofreram perfurações, enquanto nadavam em áreas com alta concentração de animais.

Banhista passou por cirurgia para remoção do ferrão - Foto: Marcela Sabrina.
Banhista passou por cirurgia para remoção do ferrão - Foto: Marcela Sabrina

Entre os feridos está o fotógrafo Fábio Ramos, de 47 anos, que foi atingido no pescoço e encaminhado ao hospital para retirada do ferrão.



Um vídeo ao qual a reportagem teve acesso mostra um banhista com a sola do pé perfurada pelo ferrão de um bagre. A vítima passou por atendimento médico e passa bem.

Nas redes sociais, outros moradores relataram ocorrências semelhantes, entre eles a internauta Marcela Sabrina, que afirmou que o filho também foi ferido na praia Martim de Sá enquanto brincava no mar. "Ele estava brincando na água e um bagre fisgou na coxa dele. Teve que passar por cirurgia para tirar o ferrão", contou.

Prefeitura investiga o caso

A prefeitura de Caraguatatuba informou que a mortandade de bagres costuma ocorrer em diferentes períodos no litoral norte paulista e pode ter múltiplas causas. O município citou possibilidade de alterações na qualidade da água, variação de oxigênio disponível, fatores naturais e descarte da pesca.



A administração municipal destacou que casos semelhantes foram registrados em São Sebastião e Ubatuba, o que levou à ampliação da investigação. O Instituto Argonauta e a Cetesb foram acionados para coleta de amostras de peixes e análises de toxicidade.

A prefeitura também solicitou exame da água do mar nas áreas mais afetadas, a fim de verificar eventuais alterações na demanda bioquímica por oxigênio (DBO). O resultado das análises deve orientar a identificação das causas da mortandade, embora exista possibilidade de laudo inconclusivo.

Perigo no mar

Especialistas explicam que os bagres possuem espinhos serrilhados nas nadadeiras, que podem causar cortes profundos, com risco elevado de infecção, e se trata de uma das espécies de peixes que mais causam acidentes no Brasil.



Em entrevista concedida anteriormente ao Costa Norte, o pesquisador científico Gianmarco Silva David, do Instituto de Pesca, apontou que os ferrões dos bagres permanecem venenosos por várias horas após a morte, o que aumenta a chance de acidentes quando grande quantidade de animais encalha na praia.

Segundo resposta técnica do Instituto de Pesca, esses peixes não devem ser consumidos em hipótese alguma, e o ideal é que os indivíduos mortos sejam retirados da faixa de areia com cuidado e encaminhados ao manejo adequado do lixo, para não colocar em risco trabalhadores e banhistas.

O pesquisador explica que os espinhos dorsais e peitorais de bagres são serrilhados e podem causar ferimentos graves, principalmente na parte inferior do corpo dos banhistas, e acidentes como esses demandam intervenção médica para retirada. Além disso, Gianmarco ressalta que os bagres possuem substâncias que causam inflamações e aumentam a dor, além de causarem ferimentos com alto risco de infecção.



Os bagres

Os bagres representam uma diversidade de espécies Siluriformes, encontradas no litoral (marinhos/estuarinos, como Cathorops spixii) e em águas doces (rios/lagos, como o exótico Clarias gariepinus). 

A característica mais notável é a alta capacidade de adaptação a diferentes habitats, auxiliada por barbilhões sensoriais que ajudam na detecção de alimentos, especialmente à noite. A alimentação é amplamente oportunista, que varia de carnívora a onívora e insetívora, que depende da espécie e do ambiente disponível.

O tamanho dos bagres é muito variável. Enquanto algumas espécies nativas de água doce podem ser menores, exemplares marinhos maiores podem atingir cerca de 1 metro. Espécies exóticas introduzidas, como o bagre-africano (Clarias gariepinus), demonstram um grande porte e podem chegar a 1,4 metro e pesar dezenas de quilos.



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