
A madrugada de 3 de janeiro de 2026 vai ficar marcada não apenas pelas explosões em Caracas, mas pelo momento em que os Estados Unidos voltaram a agir de forma decisiva no coração da América Latina.
O ataque militar americano que, segundo o presidente Donald Trump, resultou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, representa um ponto de inflexão na política externa do hemisfério e um reencontro com a velha Doutrina Monroe, adaptada aos desafios contemporâneos da democracia e da segurança regional.
A reativação da Doutrina Monroe e o novo tabuleiro geopolítico das Américas
Trump anunciou uma operação em larga escala contra alvos estratégicos na Venezuela, em meio a um escalonamento de pressão que incluía destruição de embarcações de narcotráfico e sanções a empresas petrolíferas ligadas ao regime.
Essa resposta militar surge depois de meses de ações destinadas a desarticular as redes que alimentam o narcotráfico e minam a estabilidade regional.
Maduro nunca foi um presidente legítimo no sentido pleno da democracia. Sua reeleição em 2024 foi amplamente contestada com relatos de prisões arbitrárias, desaparecimentos e repressão organizada contra adversários políticos, algo confirmado por relatórios internacionais que documentaram detenção arbitrária e violações de direitos humanos em grande escala.
Organizações independentes estimam que cerca de 900 presos políticos ainda estão encarcerados por contestar o regime, mesmo após recentes liberdades condicionais que libertaram apenas algumas dezenas sob pressão externa.
A Venezuela sob Maduro se apresenta, na prática, como um narcoestado tolerante com organizações criminosas internacionais, incluindo o infame Cartel de los Soles, que segundo autoridades americanas teria conexões com altos escalões do governo venezuelano e financiaria fluxos de cocaína em direção aos EUA e à Europa, via território brasileiro.
O retorno explícito da Doutrina Monroe, com os EUA reafirmando liderança estratégica nas Américas, não é retórica vazia. Trata-se de uma reorientação da política externa americana, que agora combina: pressão diplomática e econômica; sanções direcionadas a redes de poder e oligarquias criminosas; ações militares contra instalações e rotas logísticas do narcotráfico; e, agora, intervenção direta para desarticular uma tirania que se tornou ameaça sistêmica.
Para os Estados Unidos, a prioridade é clara: restaurar a democracia na região e conter o fluxo de drogas que alimenta a violência em seus próprios bairros. Não se trata apenas de combater um “inimigo ideológico”, mas de enfrentar uma realidade que combina autoritarismo político, colapso econômico e criminalidade transnacional.
O Brasil não pode ser espectador dessa virada geopolítica. Nosso país sempre oscilou entre visões ideológicas e pragmáticas sobre a Venezuela, muitas vezes preferindo narrativas diplomáticas brandas à dura realidade de um regime que reprime, mata e encarcera opositores sistematicamente.
Enquanto alguns no Brasil se distraem com temas fúteis, os americanos estão diante de uma escolha histórica: derrubar um narcoestado que ameaçava a democracia continental ou permitir que o autoritarismo se consolidasse com consequências ainda mais severas para toda a região.
Se o governo brasileiro quiser realmente defender a democracia e a ordem internacional, a resposta está clara: apoiar a restauração da liberdade na Venezuela, não a perpetuação de uma ditadura que sacrifica seu povo em nome de poder e criminalidade.
Os Estados Unidos não estão apenas reagindo a um regime autoritário, estão liderando um movimento que pode redefinir as Américas.
Se isso se consolidar, ficará historicamente registrado como o ponto em que o continente deixou de aceitar regimes que matam civis, prendem opositores e perpetuam um sistema político ilegítimo.
E para o Brasil, a pergunta crucial não é complicada: estamos do lado da democracia e da liberdade, ou continuaremos ignorando as organizações criminosas do país, vendo-as se inserirem na política e também levando o Brasil a um Narcoestado?