ZAGARINO ANALISA

A reativação da Doutrina Monroe e o novo tabuleiro geopolítico das Américas

bandeira dos Estados Unidos. (Foto Pexels)
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A decisão dos Estados Unidos de retomar formalmente a Doutrina Monroe, anunciada pela Casa Branca, é um divisor de águas na geopolítica continental. Não se trata de um ajuste de rota, trata-se de uma ruptura estratégica com tudo o que vinha sendo praticado nas últimas décadas. Washington está dizendo, sem metáforas, que o hemisfério ocidental tem dono novamente. E isso muda tudo.

Criada no século XIX, a Doutrina Monroe estabelecia um princípio simples: a América é para os americanos e, na leitura dos EUA, sob liderança deles. Na época, o alvo era a Europa. Agora, a mensagem é para China e Rússia: “Vocês avançaram demais. Aqui, não mais.”

E o instrumento de dissuasão não será apenas diplomático. A nova diretriz autoriza explicitamente uso político, econômico e militar de força para proteger interesses dos EUA nas Américas. É um reposicionamento duro, direto e sem sutilezas.



A Casa Branca não anunciou a estratégia com discursos, anunciou com ações. Marinha e Guarda Costeira já destruíram 23 embarcações ligadas ao narcotráfico, matando 87 suspeitos em confrontos no Pacífico e no Caribe.

Para quem ainda duvidava que a Doutrina Monroe estava de volta, a resposta veio em ondas: os Estados Unidos não só retomam o controle, como o fazem usando força letal. Os EUA entenderam aquilo que muitos governos latino-americanos ignoraram: o vácuo de poder sempre será preenchido por alguém.

Durante anos, a América Latina ficou em segundo plano. O resultado foi o avanço do narcotráfico transnacional, a expansão da presença chinesa em infraestrutura e da influência russa em setores estratégicos. Trump está enviando um aviso: o continente não ficará sem tutela. Ou será dos EUA, ou será de potências rivais.



Com a Doutrina Monroe reativada:

  • Aumentam operações contra narcotráfico;
  • Cresce a vigilância sobre governos lenientes com crime organizado;
  • Sobem as tensões com países que abriram portas para China e Rússia;
  • Diminui o espaço para neutralidade diplomática.

E o Brasil? Aqui, o governo será pressionado a definir posição. Porque, no novo cenário, ficar em cima do muro significa ficar fora das decisões.

A Doutrina Monroe, na prática, cria uma linha divisória: governos que cooperam com a estratégia americana versus governos que se tornam problema. A reativação da Doutrina Monroe não é simbólica. É um movimento tectônico. Ela redefine alianças, redesenha rotas, reposiciona o Brasil e impõe novos riscos e responsabilidades.

E, gostemos ou não, a realidade é simples: quando os EUA decidem assumir novamente o papel de força dominante no hemisfério, nenhum país pode ignorar, nem resistir, sem pagar um preço geopolítico alto.



A pergunta que fica é: o Brasil vai ser protagonista ou espectador do seu próprio destino?

*a Doutrina Monroe foi anunciada pelo 5º presidente norte americano James Monroe, em 1823.

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