CLIMA EM ALERTA

El Niño deve ficar muito forte e levar eventos extremos até 2027

OMM aponta probabilidade próxima de 100% de o fenômeno El Niño persistir até fevereiro; Sudeste pode enfrentar maior irregularidade de chuvas

A imagem ilustra o El Niño, um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais no oceano Pacífico equatorial
El Niño deve ganhar força nos próximos meses e atingir intensidade muito forte - Mapa ilustrativa de Super El Niño - IA/Gemini


O El Niño deve se intensificar nos próximos meses e atingir nível muito forte, com reflexos sobre temperaturas e chuvas em diferentes partes do planeta. A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada da ONU, informou, na quinta-feira (3), que existe probabilidade próxima de 100% de o fenômeno persistir até fevereiro de 2027.

O fenômeno já está estabelecido no Pacífico tropical e deve alcançar o pico perto do fim de 2026. A OMM associa um El Niño dessa intensidade ao aumento dos riscos de calor extremo, secas e chuvas intensas, mas os efeitos variam conforme cada região.

A atualização climática global da organização aponta ainda uma anomalia média prevista de aproximadamente 3,6°C na temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 entre setembro e novembro. Os modelos apresentam pouca dispersão entre as projeções, sinal de elevada confiança na tendência de fortalecimento.

O que o El Niño pode provocar no Sudeste?

No Brasil, os efeitos não serão iguais em todas as regiões. Segundo o meteorologista Carlos Raupp, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) e conselheiro do Crea-SP, o Sudeste pode enfrentar maior irregularidade de chuvas.

Essas alterações incluem chuvas acima da média na região Sul, chuvas abaixo da média nas regiões Norte e Nordeste e maior irregularidade das chuvas na região Sudeste. O monitoramento antecipado é crucial para a previsão desses eventos climáticos como o El Niño, que por sua vez possibilita um melhor planejamento e a adoção de planos de contingência”, afirma.

Essa irregularidade merece atenção também no estado de São Paulo. Ela não significa, porém, que todas as cidades terão necessariamente chuva acima da média, tempestades ou períodos prolongados de seca. A previsão sazonal indica aumento de determinados riscos, e não permite antecipar episódios específicos para cada município.

Enchentes e deslizamentos exigem atenção

Em cidades vulneráveis a enchentes e movimentos de massa, sistemas de drenagem e acompanhamento meteorológico ganham importância diante de episódios de chuva intensa.



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O gerente do Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) da cidade de São Paulo e conselheiro do Crea-SP, engenheiro civil Hassan Mohamad Barakat, aponta maior vulnerabilidade em encostas urbanizadas, margens de rios e locais densamente ocupados sem infraestrutura adequada.

Sistemas de drenagem urbana dimensionados corretamente, piscinões, infraestrutura verde e recuperação de áreas de várzea ajudam a ampliar a capacidade de escoamento da água e aumentar a resiliência das cidades”, afirma Barakat.

Calor e chuva também preocupam o campo

Os possíveis efeitos alcançam ainda a produção agrícola. A diretora técnica do Crea-SP, engenheira agrônoma Gisele Herbst Vasquez, aponta risco de quebra de safras diante de condições desfavoráveis. “No campo, o maior risco é a quebra de safras, o que afeta a renda do produtor rural, gera inflação e ameaça a segurança alimentar da população”, afirma.

Segundo Gisele, plantio direto, terraceamento e drenagem estão entre as técnicas que podem aumentar a infiltração da água no solo e diminuir enxurradas.



O engenheiro agrônomo Glauco Eduardo Pereira Cortez também chama atenção para o impacto da irregularidade das chuvas sobre o calendário agrícola. Culturas perenes, entre elas café e citros, podem sofrer ainda com temperaturas elevadas.

Ventos fortes entram no radar da engenharia

Outro ponto destacado pelo Crea-SP envolve estruturas expostas a rajadas intensas. O coordenador do Comitê de Engenharia Condominial da entidade, engenheiro civil Joni Matos Incheglu, afirma que mudanças na velocidade do vento aumentam consideravelmente os esforços sobre edificações.

Quando a velocidade do vento dobra, a pressão sobre a fachada quadruplica. Em situações de rajadas excepcionais, isso pode causar danos desproporcionais, arrancando telhas, descolando painéis de fachada e comprometendo vidros subdimensionados”, explica.

A OMM ressalta que um El Niño muito forte pode modificar significativamente padrões de temperatura e precipitação em escala mundial. A entidade também ampliou as ações de preparação e alerta antecipado diante da intensidade projetada para o fenômeno.



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