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Ilhabela já teve aeroporto que serviu de base secreta para as batalhas da Revolução de 32

Paulistas que pediam a saída de Getúlio Vargas do poder, tiveram aeroporto construído a mando do próprio presidente em terra 'inimiga'


Reginaldo Pupo
Publicado em 20/09/2025, às 11h00

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Ilhabela já teve aeroporto que serviu de base  secreta para as batalhas da Revolução de 32
Savoia-Marchetti S.55, modelo que ficava sobre o mar na praia do Pequeá, na antiga Villa Bella - Reprodução


Um dos destinos turísticos mais conhecidos do Brasil, Ilhabela, no litoral norte paulista, já abrigou um pequeno aeroporto, no século passado, de chão batido, quando a cidade ainda se chamava Villa Bella, durante a ditadura de Getúlio Vargas. O aeródromo foi usado como base secreta da Marinha, durante a Revolução Constitucionalista de 1932, movimento que exigia a saída de Vargas do poder.

Ilhabela foi escolhida pelo governo federal devido à sua posição geográfica, com vista privilegiada do continente. Os aviões de pequeno porte realizavam reconhecimento das áreas tomadas pelos paulistas, como aconteceu com a entrada do porto de Santos.

O Campo de Aviação, como era chamado o aeródromo à época, não estava nos planos da Marinha. Justamente por causa da falta de um aeroporto na então Villa Bella, a corporação havia enviado três hidroaviões, a pedido de Vargas, que ficavam “estacionados” em flutuantes, sobre o mar, em frente à praia do Pequeá, voltados para o canal de São Sebastião e para o continente. As aeronaves eram utilizadas para patrulhar toda a extensão do litoral norte.



No entanto, a Marinha decidiu enviar aeronaves mais modernas, mas elas eram muito pesadas e os flutuantes não suportavam o peso. Além disso, diferentemente dos hidroaviões (que podem pousar e decolar da água), os modernos aviões eram equipados com trem de pouso, o que inviabilizaria seu uso no mar.

Para poder abrigar os aviões que haviam sido incorporados à esquadrilha, o governo Getúlio Vargas decidiu alargar uma área localizada em frente à praia do Pequeá, em terra “inimiga”, criando uma pista de terra para que eles pudessem pousar. Esse aeródromo foi batizado de Campo de Aviação.

Reurbanização

O aeródromo recebia vários modelos da Marinha, como o Havilland DH.60 Moth (Mariposa) e os hidroaviões Savoia-Marchetti S.55, que saíam em missões de bombardeios durante a Revolução. De acordo com registros da época, algumas dessas aeronaves acabaram afundando no canal de São Sebastião. Não se sabe se por falhas técnicas, humanas ou se foram abatidas.



Com o fim da Revolução, a pista de pouso ficou esquecida e encoberta pelo matagal, com o passar do tempo. Apesar de ser abandonada pela Marinha, um empresário a utilizava para pousar seu avião quando chegava à ilha para visitar suas fazendas.

A área da praia do Pequeá ganhou nova vida, 16 anos depois, em 1948, quando o então prefeito da agora Ilhabela, Benedito Carlos de Oliveira, iniciou um projeto de urbanização do local.

Com o passar do tempo, a prefeitura promoveu diversos eventos como shows, Carnaval, aniversário da cidade,  Festival do Camarão, entre outras atividades. A praia se transformou em bairro e o Pequeá, atualmente, é uma vila residencial, com casas de padrão elevado, com complexo esportivo, praça, parquinhos infantis, ciclovias e um píer de atracação para barcos.



Todos os eventos que eram realizados por ali foram transferidos para outros lugares, devido a uma ação judicial movida pelos moradores, que se queixavam do barulho gerado pelos shows e festas.

Revolução de 32

A Revolução Constitucionalista de 1932 foi um levante armado liderado pelo estado de São Paulo, contra o governo ditatorial de Getúlio Vargas, buscando a convocação de uma Assembleia Constituinte e o fim da centralização do poder.

O conflito armado, que durou 85 dias, começou em 9 de julho de 1932 e terminou com a derrota dos paulistas, mas uma nova Constituição foi promulgada em 1934, atendendo a algumas exigências do movimento, considerado um marco na memória paulista, e que simboliza a busca pela consolidação da democracia. 



As elites paulistas, que haviam apoiado Vargas, na Revolução de 1930, sentiram-se prejudicadas com a perda de sua influência política e com a não realização das reformas prometidas. Os constitucionalistas exigiam a elaboração de uma nova Constituição e o fim do governo provisório de Vargas.

O estopim para o movimento foi a repressão policial a um ato político, em 23 de maio de 1932, que resultou na morte dos estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (M.M.D.C.), tornando-se um símbolo da revolta.

O levante começou em 9 de julho de 1932, com a formação de um governo provisório em São Paulo, chefiado por Pedro de Toledo. O movimento contou com a participação de fazendeiros, estudantes, comerciantes, profissionais liberais e voluntários de São Paulo.



Apesar da grande mobilização e resistência, as forças paulistas foram derrotadas pelas tropas do governo central. Embora derrotada militarmente, a Revolução de 1932 foi fundamental para o processo que levou à promulgação da Constituição brasileira de 1934.

O movimento é um forte símbolo da identidade e da luta paulista, sendo lembrado com desfiles e homenagens anuais.  O dia 9 de julho é um feriado oficial no estado de São Paulo em memória à Revolução.

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