Grandes obras de infraestrutura são fundamentais para colocar Bertioga no coração do desenvolvimento regional

Antes mesmo que a primeira máquina entre em operação nas grandes frentes de trabalho, em obras anunciadas para a Baixada Santista, Bertioga já sente os reflexos de um novo posicionamento estratégico.
A cidade deixou de ser conhecida apenas como destino turístico para se tornar peça-chave de um arranjo logístico que engloba o maior porto da América Latina, a aviação civil e a fluidez rodoviária.
O histórico gargalo da travessia por balsas está com os dias contados. Com o contrato de Parceria Público-Privada (PPP) assinado e o aporte federal de R$ 2,6 bilhões liberado pelo TCU, o túnel submerso Santos-Guarujá entra agora em fase final de licenciamento ambiental.
O impacto dessa ligação seca reverbera em toda a região. Para Anderson Pomini, diretor-presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), essa obra é a ferramenta que finalmente unifica uma região antes insulada:
O túnel Santos-Guarujá vai proporcionar a integração da Baixada Santista, hoje segregada pelo estuário. Com Bertioga não será diferente”, destaca, e reforça: “Moradores e empresários terão melhor acesso à maior cidade da região, facilitando a ida a serviços de saúde, culturais e negócios”.
A visão da APS ainda insere o município definitivamente na dinâmica portuária.
Hoje, o Complexo Portuário já está em Santos, Guarujá, Cubatão e Bertioga também, com a Usina de Itatinga. A tendência é de ampliação desse vínculo; a cidade poderá ser um campo de expansão retroportuária e de oferta de mão de obra qualificada”, declara Pomini.
No asfalto, a transformação é liderada pela concessionária Novo Litoral, que assumiu a operação da rodovia Rio-Santos com um cronograma robusto de modernização. João Couri, responsável pela concessionária, afirma que as melhorias incluem ampliação de capacidade e novos dispositivos de segurança:
Teremos duplicações, dispositivos em desnível, ciclovias, passarelas, além da implementação de tecnologia ao longo de toda a rodovia”.
O investimento em segurança e capacidade de fluxo no trecho entre a Riviera e a rodovia Cônego Domênico Rangoni (212 quilômetros) é visto como o combustível para um salto social.
Esse trecho passará por uma transformação muito grande, capacitando essa região e levando a um nível de crescimento econômico e social nunca antes visto”, ressalta Couri.
A poucos quilômetros da divisa sul de Bertioga, o Aeroporto Civil Metropolitano de Guarujá entra em fase técnica decisiva. Com as obras de acesso e terminal previstas para conclusão ainda neste semestre, a expectativa é que os primeiros voos comerciais decolem no final de 2026, conectando a região diretamente a grandes centros nacionais.
Para o mercado imobiliário,a somatória do túnel, do aeroporto civil no Guarujá e das melhorias na rodovia, atua na "quebra de barreiras" que antes limitavam a decisão de compra. Fábio Tibiriçá, gestor da BBusiness Bertioga, argumenta que a mobilidade altera o comportamento do consumidor:
O túnel resolve um dos maiores gargalos da região, que é a travessia de balsa. Isso traz mais agilidade, previsibilidade e a sensação de que tudo ficou mais perto”.
Essa agilidade redefine o uso do imóvel. Tibiriçá observa que a busca deixou de ser pela casa de praia sazonal para se tornar o projeto de vida definitivo.
No final das contas, essas obras reduzem barreiras. E quando o acesso melhora, a demanda cresce”, resume.
Ciente de que a infraestrutura regional atua como um imã de investimentos, a administração municipal foca no ordenamento interno para evitar que a expansão ocorra de forma desordenada. Tarcísio Pereira Lima, secretário de Planejamento Urbano, explica que o impacto em Bertioga deve ser percebido de maneira gradual e indireta:
Os efeitos ocorrerão de forma mais indireta e gradual, sendo perceptíveis principalmente por meio do aumento da atratividade territorial, valorização imobiliária e crescimento da demanda por turismo e segunda residência”.
Para sustentar esse novo fluxo sem comprometer a identidade da cidade, a prefeitura aposta na tecnologia aplicada ao planejamento e na rigidez do Plano Diretor.
O foco é no aprimoramento da mobilidade urbana, incluindo requalificação de vias, melhoria da sinalização, estudos para novos eixos de circulação e uso de tecnologia”, afirma o secretário.
O objetivo central, segundo Tarcísio, é garantir que Bertioga consolide-se como referência no equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental.
Os projetos que redesenham o desenvolvimento e o acesso à cidade