Sítio arqueológico no litoral de SP é a mais antiga evidência da colonização portuguesa

Engenho dos Erasmos, localizado entre Santos e São Vicente, foi contruído em 1534 a mando de Martim Afonso de Souza; veja como visitar

Redação
Publicado em 05/03/2025, às 14h10

Engenho dos Erasmos é um dos primeiros engenhos de açúcar do Brasil - Marcelo Martins/Prefeitura de Santos


Construído em 1534 por indígenas escravizados ou aldeados, a mando de Martim Afonso de Souza, então donatário da capitania de São Vicente, o Engenho dos Erasmos é um sítio arqueológico no litoral de São Paulo, e a mais antiga evidência física preservada da colonização portuguesa no Brasil, na categoria engenho de açúcar. Situado na divisa entre Santos e São Vicente, é um dos mais importantes patrimônios históricos do Brasil. O local representa um testemunho singular do início da expansão da manufatura açucareira no período colonial.

Inicialmente conhecido como Engenho do Governador, o local se consolidou como um dos primeiros engenhos de açúcar do Brasil, reflexo do início da colonização portuguesa em solo brasileiro. Em 1540, foi vendido ao comerciante flamengo Erasmo Schetz, que ampliou sua produção e distribuição para o mercado europeu. O engenho alcançou seu auge sob a gestão da família Schetz, que ergueu uma capela dedicada a São Jorge, dando origem ao nome que o museu leva até hoje - Monumento Nacional Ruínas Engenho São Jorge dos Erasmos. Com a ascensão de engenhos no Nordeste do Brasil, ataques piratas e resistência de indígenas, o local entrou em decadência e foi vendido em 1620, funcionando em menor escala até o século 18.

No século 20, o terreno foi adquirido por Otávio Ribeiro de Araújo, que loteou a propriedade e doou as ruínas à USP (Universidade de São Paulo) em 1958, permitindo seu tombamento e preservação. Atualmente, o Engenho dos Erasmos é tombado nos âmbitos nacional (1963); estadual (1974) e municipal (1990); é um centro de referência em história, arqueologia e cultura, e promove a educação patrimonial por meio de pesquisas e atividades interdisciplinares desenvolvidas no local. É Base Avançada de Pesquisa, Cultura e Extensão da USP.



Cultura e educação

Desde sua incorporação à pró-reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, em 2004, o Monumento Nacional Ruínas Engenho São Jorge dos Erasmos consolidou-se como um bem cultural interdisciplinar, promovendo pesquisas arqueológicas, históricas e ambientais. Além disso, destaca-se como um espaço de educação patrimonial e educação socioambiental, oferecendo atividades que buscam ampliar o acesso ao local e promover apropriação, senso de pertencimento e ressignificações diversas do sítio de memória.

Engenho é, atualmente, Base Avançada de Pesquisa, Cultura e Extensão da USP - Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP

 

Entre os programas desenvolvidos, destacam-se visitas monitoradas para alunos de todas as idades, cursos certificados, oficinas, palestras, concertos e saraus, tornando o Engenho um dos principais polos culturais e educativos da Baixada Santista. A equipe investe continuamente em iniciativas que promovem um olhar decolonial sobre a história, estimulando reflexões sobre temas como racismo estrutural e povos originários.



O Engenho abriga também uma biblioteca como espaço dedicado à pesquisa e à ampliação do conhecimento. Seu acervo conta com mais de 1.200 títulos, incluindo livros, revistas científicas, catálogos e artigos, que abrangem temas como história do Brasil; arquitetura; arqueologia; sociologia; meio ambiente e geografia, além de uma seleção de literatura infantojuvenil.

A biblioteca funciona exclusivamente para consultas locais, sem empréstimo de obras, e está aberta ao público de terça-feira a sábado, das 9h às 16h. Com um ambiente climatizado e adequado para estudo e leitura, o espaço complementa as visitas monitoradas, permitindo que os visitantes aprofundem seu entendimento sobre os temas explorados no Engenho e enriqueçam sua experiência no local.

Ruínas Quinhentistas em Território Milenar

No Engenho, a exposição Ruínas Quinhentistas em Território Milenar apresenta uma narrativa que utiliza como fio condutor uma carta de 1548 enviada ao proprietário do engenho, que detalha aspectos administrativos e do cotidiano do local. Por meio de imagens, textos e citações de fontes primárias do século XVI, a mostra evidencia a estruturação do poder político e social dos senhores de engenho, alicerçado no monopólio da terra, na escravidão e na formação de uma sociedade patriarcal.



Além disso, a exposição traz objetos etnográficos representativos do povo tupinambá, proporcionando um olhar mais amplo sobre a ocupação do território ao longo dos séculos. São apresentados artefatos arqueológicos encontrados no local e expostos ao público pela primeira vez. Entre os destaques estão um diorama representando povos sambaquieiros, habitantes do litoral há milênios; mapoteca com ilustrações sobre a diáspora africana, caminhos indígenas como o Peabiru e a formação de quilombos; e também uma obra exclusiva da artista indígena contemporânea Moara Tupinambá, que  faz parte do acervo da USP.

Como visitar

O Monumento Nacional Ruínas Engenho São Jorge dos Erasmos é um museu a céu aberto que funciona de terça-feira a sábado, das 9h às 16h. A entrada é gratuita e todas as visitas são monitoradas, com o objetivo de enriquecer a compreensão sobre os remanescentes do mais antigo engenho de açúcar do período colonial.

Visita ao Engenho dos Erasmos é gratuita - Governo de SP

 



As visitas são realizadas de forma espontânea para grupos menores de 10 pessoas. Para os grupos maiores, o agendamento deve ser feito previamente pelo e-mail: educativo.engenho@usp.br. O espaço também recebe estudos do meio, organizados por escolas, universidades e instituições públicas e privadas. O Engenho dos Erasmos fica na rua Alan Cíber Pinto, nº 96, Vila São Jorge. 

Com informações de governo de São Paulo

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