São Sebastião possui sete quarteirões com construções coloniais protegidas pelo patrimônio histórico e um bairro que resgata tradições indígenas
Reginaldo Pupo
Publicado em 11/11/2024, às 16h26 - Atualizado às 16h47
Nem só de (belas) praias vive São Sebastião. A cidade, localizada no litoral norte paulista, também respira história. São diversos casarões coloniais, existentes em sete quarteirões localizados no centro, que fazem lembrar as construções históricas e vielas de Paraty (RJ). Todo o conjunto de edificações é tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico) do estado de São Paulo.
O chamado centro histórico é um roteiro turístico sustentável, que proporciona aos visitantes uma viagem no tempo, mais especificamente, entre os séculos XII e XX; ele reune ecoturismo, turismo pedagógico, cultura e história, com o objetivo de valorizar esta região e mais o bairro São Francisco, como produto turístico - o Caminho das Águas.
Os dois locais distam sete quilômetros entre si. No meio do caminho, no bairro Pontal da Cruz, fica a fazenda Santana, que também faz parte do roteiro. O projeto envolve a comunidade e monitores treinados para trabalhar no receptivo aos visitantes. De acordo com o projeto Tecendo as Águas, que idealizou o roteiro, o Caminho das Águas visa resgatar e valorizar construções antigas, lendas locais, personagens reais de São Sebastião, como contadores de estórias e paneleiras, além do artesanato, que quase se perdeu no tempo.
O roteiro também é um importante instrumento para combater a sazonalidade, problema enfrentado por todos os municípios do litoral norte, já que movimenta a economia durante o ano inteiro. Os turistas têm a sensação de visitar um museu a céu aberto.
O convento Nossa Senhora do Amparo, que data de 1658, e fica no bairro São Francisco, é um dos atrativos históricos mais conhecidos do roteiro. Uma caminhada pela rua Martins do Val remete ao passado, com suas casas em estilo colonial ainda preservadas, e nas quais ainda residem famílias de caiçaras tradicionais, que sobrevivem da pesca. É como se o “Bairro”, como é carinhosamente chamado pelos moradores, tivesse parado no tempo. Ali é possível observar casas dos séculos XIX e XX, preservando as características de residências sem quintal na frente e com as portas instaladas na calçada.
Não muito distante dali, fica o ateliê da ceramista Maria Aparecida Ivanov, conhecida como Cida. No local, os turistas podem conhecer as tradicionais panelas de barro e demais produtos produzidos em cerâmica. Ela utiliza técnicas que lhe foram passadas por diversas gerações desde a época em que os índios viviam naquela região, até a chegada dos africanos, culminando num legado único de cultura local.
No centro histórico, o roteiro destaca a praça das Bandeiras, do século XX, e a Igreja Matriz, do século XVII, a primeira construída em São Sebastião e que possui traços arquitetônicos jesuítas, com vários símbolos ocultos da maçonaria, como a guirlanda e o altar-mor. O roteiro também contempla a capela São Gonçalo, a Casa de Câmara e Cadeia, todos do século XVII; a Casa Esperança e a Casa das Janelas, ambas do século XVIII.
Informações: Secretaria de Cultura e Turismo (rua Expedicionários Brasileiros, 181 - Centro). Telefone: (12) 3892 2620; E-mail: turismo.setur@saosebastiao.sp.gov.br. Horário de atendimento: 9h às 17h; Instituto Supereco: (12) (12) 3862 0100 - www.supereco.org.br
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