Correntes de retorno são responsáveis por 80% das mortes, segundo o GBMar; orientações de segurança são reforçadas para a temporada de verão
Lenildo Silva
Publicado em 26/12/2024, às 13h17
O número de mortes por afogamento, no litoral de São Paulo, cresceu cerca de 24% em 2024, em comparação ao ano anterior. Segundo dados do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), foram registrados 103 óbitos, entre 1º de janeiro e 26 de dezembro deste ano; outros dois banhistas estão desaparecidos no mar. Já em 2023, os dados apontam que 82 pessoas perderam a vida nas praias da Baixada Santista, litoral sul e norte paulista.
Além das mortes, os bombeiros marítimos salvaram 3.436 banhistas em situação de afogamento, ante 2.659 no ano passado, e atuaram preventivamente em mais de 1,6 milhão de ações, destinadas a alertar e orientar banhistas sobre os riscos do mar.
Com a chegada do verão, que começou no sábado (21), a preocupação com a segurança nas praias aumenta significativamente. A capitã e porta-voz do GBMar, Karoline Burnsizian, explicou que o aumento no número de mortes pode estar ligado a vários fatores. "A demanda de público, os feriados prolongados próximos ao pagamento e as condições climáticas favoráveis contribuem para a lotação das praias. No entanto, não é possível determinar um motivo específico para este crescimento", destacou.
De acordo com o GBMar, o litoral paulista possui 14 municípios sob sua jurisdição, desde Ubatuba, no extremo norte, até Ilha Comprida, no litoral sul. As cidades com mais registros são Guarujá, Praia Grande e Mongaguá, que igualmente têm maior movimento de turistas durante o verão.
As correntes de retorno, identificadas como responsáveis por 80% das mortes, representam um dos principais perigos nas praias. "Elas surgem em áreas mais profundas e tendem a arrastar banhistas para o fundo do mar. É fundamental que os frequentadores fiquem atentos às placas de sinalização e evitem nadar em locais não supervisionados por guarda-vidas", reforçou a capitã.
Além das correntes de retorno, objetos flutuantes como boias, colchões infláveis e pranchas pequenas são apontados como causas frequentes de afogamentos. Cerca de um terço das mortes ocorre quando as vítimas perdem o controle desses objetos e são arrastadas pelas ondas.
Para atender a demanda crescente, o GBMar conta com 815 profissionais, entre bombeiros e guarda-vidas temporários, que atuarão nas praias paulistas até o dia 31 de março de 2025. A presença desses profissionais é fundamental para as ações de salvamento e orientação dos banhistas. Outro ponto de atenção é a perda de crianças nas praias. Segundo estimativas, cerca de 900 crianças se perdem anualmente. "Pulseiras de identificação gratuitas são distribuídas pelos guarda-vidas, facilitando a localização dos responsáveis", explicou a porta-voz.
Para aproveitar o verão com segurança, o GBMar orienta que os banhistas frequentem praias que contem com guarda-vidas, respeitem as placas de sinalização e evitem o uso de objetos flutuantes. Em caso de emergência, a recomendação é sinalizar por ajuda e entrar em contato com o 193, número do Corpo de Bombeiros.
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