Sinal feito com uma das mãos integra o Protocolo Não se Cale, iniciativa do governo de SP que já capacitou mais de 139 mil pessoas
Rhauanny Queiroz
Publicado em 24/10/2026, às 11h46
Um gesto simples, feito com apenas uma mão, pode ajudar mulheres em situação de violência a pedir socorro sem precisar dizer uma palavra. Conhecido internacionalmente como Signal for Help (Sinal de Ajuda), o movimento foi incorporado ao Protocolo Não se Cale, iniciativa do governo do estado de São Paulo coordenada pela Secretaria de Políticas para a Mulher.
O protocolo orienta estabelecimentos comerciais a reconhecer situações de risco e prestar auxílio às vítimas. Criado em 2023, estabelece medidas de prevenção e enfrentamento ao assédio, à importunação sexual e à violência contra a mulher em bares, restaurantes, casas noturnas, espaços de eventos e estabelecimentos similares.
O sinal é feito com movimentos simples: a mulher deve levantar uma das mãos com a palma voltada para fora, dobrar o polegar em direção ao centro da palma e fechar os outros quatro dedos sobre ele, formando um punho.
Criado em 2020 pela organização canadense Canadian Women’s Foundation, o gesto ganhou reconhecimento internacional como uma forma silenciosa de comunicar a necessidade de ajuda, inclusive em situações nas quais a mulher está sendo observada ou ameaçada.
A secretária de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni, destaca a importância de reconhecer o sinal e saber como agir diante dele.
“Esse gesto é uma ferramenta importante porque muitas mulheres, por medo ou pela presença do agressor, não conseguem pedir socorro diretamente. Mas tão importante quanto conhecer o sinal é saber como agir ao identificá-lo. Com o Não se Cale, estamos preparando profissionais para reconhecer situações de risco e oferecer um atendimento humanizado, respeitando a segurança e a autonomia de cada mulher”, afirma.
Ao reconhecer o gesto, a orientação é agir com discrição e cautela. A recomendação é evitar o confronto direto com o possível agressor ou qualquer atitude que possa expor a mulher a novos riscos.
Nos estabelecimentos abrangidos pelo Protocolo Não se Cale, os funcionários capacitados devem acolher a mulher em um ambiente reservado, afastado do agressor, e oferecer o apoio necessário. A assistência pode incluir acompanhamento até um meio de transporte ou acionamento da polícia, conforme a situação e a decisão da vítima.
Em casos de perigo imediato, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.
Até setembro de 2026, a capacitação gratuita do Protocolo Não se Cale registrou mais de 186 mil inscritos e mais de 139 mil concluintes em todo o Estado de São Paulo. Em comparação com o mesmo período anterior, o número de inscritos aumentou 67%, enquanto o total de pessoas que concluíram a formação cresceu aproximadamente 104%.
Oferecido gratuitamente na modalidade online, o curso tem carga horária de 15 horas e é desenvolvido em parceria com o Procon-SP. A formação aborda os tipos de violência contra a mulher, a identificação de situações de risco, o reconhecimento de sinais de socorro e os procedimentos adequados de acolhimento e encaminhamento às redes de saúde e segurança pública.
A legislação estadual também determina que os estabelecimentos abrangidos pelo protocolo mantenham funcionários capacitados para prestar auxílio às mulheres. Os locais devem afixar cartazes informativos sobre a iniciativa em pontos de fácil visualização, inclusive nos banheiros femininos.
As inscrições para a capacitação permanecem abertas e podem ser feitas pelo site da secretaria de Políticas para a Mulher.
Mulheres em situação de violência podem procurar uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) ou buscar orientações pela Central de Atendimento à Mulher, no telefone 180. Em situações de emergência, o número da Polícia Militar é 190.
O SP Por Todas é o movimento do Governo do Estado de São Paulo que reúne políticas públicas voltadas às mulheres nos eixos de segurança e proteção, saúde e autonomia.