Meningite faz 11 vítimas fatais entre 57 casos na Baixada Santista em 2025

Autoridades reforçam alerta após novas ocorrências em Cubatão e Praia Grande; vacinação segue como principal forma de prevenção contra a meningite

Lenildo Silva
Publicado em 09/11/2025, às 20h09

Meningite pode ser causada por bactérias, vírus, fungos ou parasitas, com as formas viral e bacteriana - Divulgação/prefeitura de Santos


A Baixada Santista registrou 57 casos de meningite e 11 mortes entre janeiro e outubro de 2025, segundo dados do Departamento Regional de Saúde. A doença, que afeta as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, preocupa autoridades sanitárias pela gravidade e pela possibilidade de surtos.

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A meningite pode ser causada por bactérias, vírus, fungos ou parasitas, com as formas viral e bacteriana as mais recorrentes e de maior impacto em saúde pública. Os sintomas incluem febre alta, dor de cabeça intensa, náuseas e rigidez na nuca, que exige atendimento médico imediato diante de qualquer suspeita.



Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde reforçou que a vacinação é a principal forma de prevenção. As vacinas meningocócicas C e ACWY estão disponíveis em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do estado. A pasta orienta que pessoas com febre, vômitos, manchas na pele ou dor de cabeça persistente procurem atendimento rapidamente.

Um caso recente foi confirmado em Cubatão, onde um homem de 38 anos foi internado em Barueri no dia 3 de novembro. O tipo específico da bactéria ainda não foi identificado, e o estado de saúde do paciente não foi informado pela prefeitura. No município, quatro casos foram registrados neste ano, com três mortes confirmadas entre adultos de 20 a 52 anos.

A Secretaria de Saúde Pública (Sesap) de Praia Grande investiga um novo caso suspeito de meningite em um menino de 4 anos, morador da cidade, que está internado no Hospital Ana Costa, em Santos. A notificação foi recebida na segunda-feira (3), e a Vigilância Epidemiológica acompanha a ocorrência e realiza o monitoramento preventivo.



Este é o terceiro caso recente envolvendo crianças no município. Um menino de 2 anos teve diagnóstico confirmado de meningite bacteriana por Streptococcus pneumoniae, enquanto uma menina de 11 anos morreu em decorrência da forma bacteriana tipo C. Os casos acenderam o alerta na região e levaram as prefeituras a reforçar as ações de vigilância e prevenção.

Em Santos, dois estudantes da rede municipal testaram positivo para meningite, um com o tipo viral, considerado mais leve, e outro com o tipo bacteriano pneumocócico. A prefeitura afirmou que monitora os contatos próximos e mantém vigilância ativa nas escolas para prevenir novos casos.

Milena estava internada no hospital Irmã Dulce - Reprodução/Redes Sociais e Fred Casagrande/Prefeitura de Praia Grande

A infectologista pediátrica Carolina Brites explicou que a diferença entre as formas viral e bacteriana está na gravidade. "A bacteriana costuma provocar febre mais alta e tem maior potencial de complicações, enquanto a viral tende a ser mais leve", afirmou.



Carolina destacou que, mesmo em casos isolados, é essencial manter a atenção. "Se algum contato apresentar sintomas como febre, dor de cabeça ou rigidez na nuca, deve procurar atendimento médico o quanto antes", alertou. A especialista reforçou ainda que a vacinação é indispensável, especialmente contra os tipos bacterianos mais graves.

Nos casos de meningite viral, o tratamento geralmente envolve internação para garantir hidratação, repouso e acompanhamento clínico adequado. A médica ressalta que o cuidado hospitalar evita complicações e assegura recuperação mais segura, especialmente entre crianças e idosos.

A morte da menina em Praia Grande reacendeu a preocupação entre os profissionais de saúde. "A meningite não foi erradicada e exige vigilância constante. O diagnóstico rápido é determinante para salvar vidas", destacou a infectologista.



A meningite é uma doença de transmissão respiratória ou fecal-oral, que pode ocorrer por gotículas de saliva, secreções nasais ou contato com água e alimentos contaminados. Em bebês, sintomas como inchaço na moleira e choro persistente exigem atenção redobrada dos pais e cuidadores.

Como medida preventiva, a prefeitura de Santos informou que mantém o monitoramento em toda a rede de ensino e que, até o momento, não há indícios de surto. A Secretaria Municipal de Saúde recomenda observar qualquer alteração na saúde das crianças e buscar o pronto atendimento em caso de suspeita.

De acordo com o Departamento Regional de Saúde, as cidades com maior número de ocorrências foram orientadas a reforçar campanhas de imunização e ampliar a busca ativa por pessoas não vacinadas. A medida busca conter a transmissão e reduzir a gravidade dos casos.



Embora o número de registros tenha crescido, as autoridades afirmam que não há indícios de surto generalizado. A recomendação é manter a vacinação em dia, reforçar hábitos de higiene e buscar atendimento médico rápido diante de qualquer sintoma suspeito, medida considerada decisiva para evitar novos óbitos na região.

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