Menino de 1 ano foi transferido da UPA ao hospital Santo Amaro com sintomas de meningite; outro bebê está internado com meningite bacteriana confirmada

A prefeitura de Guarujá, no litoral de São Paulo, investiga a morte de um bebê de 1 ano com suspeita de meningite, ocorrida na manhã de quarta-feira (12).
O caso foi confirmado pelo secretário municipal de Saúde, Fábio Mesquita, que informou que exames foram solicitados ao Instituto Adolfo Lutz para determinar a causa da morte.
A criança havia sido transferida da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Rodoviária para o hospital Santo Amaro (HSA) com sintomas compatíveis com a doença. Segundo o secretário, o bebê morreu cerca de 48 horas após a internação, e o quadro clínico incluía perda de consciência, desnutrição e vômitos.
De acordo com Mesquita, a suspeita inicial foi baseada nos sinais apresentados, e a confirmação depende dos resultados laboratoriais. O município acompanha o caso e mantém contato com o hospital para atualização das informações.
Outro menino, de 1 ano e 1 mês, permanece internado no HSA com diagnóstico confirmado de meningite bacteriana. Ele deu entrada na unidade na segunda-feira (10) e segue sob acompanhamento da equipe de pediatria.
Diante dos dois registros, a Secretaria Municipal de Saúde adotou medidas preventivas nas creches frequentadas pelas crianças. Pais e profissionais que tiveram contato com os pacientes receberam medicação e orientação médica.
O município também iniciou uma força-tarefa para verificação das carteiras de vacinaçãonas escolas. Segundo o secretário, o objetivo é garantir que todas as crianças estejam com o esquema vacinal atualizado, sobretudo contra os tipos mais graves de meningite.
A Baixada Santista registrou 57 casos de meningite e 11 mortes entre janeiro e outubro de 2025, segundo dados do Departamento Regional de Saúde. Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde reforçou que a vacinação é a principal forma de prevenção e que as vacinas meningocócicas C e ACWY estão disponíveis em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do estado.
Em Cubatão, um homem de 38 anos foi internado no dia 3 de novembro. O tipo específico da bactéria ainda não havia sido identificado, e o estado de saúde do paciente não foi informado pela prefeitura. No município, quatro casos foram registrados neste ano, com três mortes confirmadas entre adultos de 20 a 52 anos.
A Secretaria de Saúde Pública (Sesap) de Praia Grandeinvestiga um novo caso suspeito de meningite em um menino de 4 anos, morador da cidade, que está internado no hospital Ana Costa, em Santos. A notificação foi recebida na segunda-feira (3), e a Vigilância Epidemiológica acompanha a ocorrência e realiza o monitoramento preventivo.
Este é o terceiro caso recente envolvendo crianças no município. Um menino de 2 anos teve diagnóstico confirmado de meningite bacteriana por Streptococcus pneumoniae, enquanto uma menina de 11 anos morreu em decorrência da forma bacteriana tipo C. Os casos acenderam o alerta na região e levaram as prefeituras a reforçar as ações de vigilância e prevenção.
Em Santos, dois estudantes da rede municipal testaram positivo para meningite, um com o tipo viral, considerado mais leve, e outro com o tipo bacteriano pneumocócico. A prefeitura afirmou que monitora os contatos próximos e mantém vigilância ativa nas escolas para prevenir novos casos.

A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal e pode ser causada por bactérias, vírus ou fungos. A forma bacteriana é considerada a mais grave e exige diagnóstico imediato. Os sintomas incluem febre alta, dor de cabeça intensa, náuseas e rigidez na nuca, que exige atendimento médico imediato diante de qualquer suspeita.
A infectologista pediátrica Carolina Brites explicou que a diferença entre as formas viral e bacteriana está na gravidade. "A bacteriana costuma provocar febre mais alta e tem maior potencial de complicações, enquanto a viral tende a ser mais leve", afirmou.
Carolina destacou que, mesmo em casos isolados, é essencial manter a atenção. "Se algum contato apresentar sintomas como febre, dor de cabeça ou rigidez na nuca, deve procurar atendimento médico o quanto antes", alertou. A especialista reforçou ainda que a vacinação é indispensável, especialmente contra os tipos bacterianos mais graves.
Nos casos de meningite viral, o tratamento geralmente envolve internação para garantir hidratação, repouso e acompanhamento clínico adequado. A médica ressalta que o cuidado hospitalar evita complicações e assegura recuperação mais segura, especialmente entre crianças e idosos.
A morte da menina em Praia Grande reacendeu a preocupação entre os profissionais de saúde. "A meningite não foi erradicada e exige vigilância constante. O diagnóstico rápido é determinante para salvar vidas", destacou a infectologista.
A meningite é uma doença de transmissão respiratória ou fecal-oral, que pode ocorrer por gotículas de saliva, secreções nasais ou contato com água e alimentos contaminados. Em bebês, sintomas como inchaço na moleira e choro persistente exigem atenção redobrada dos pais e cuidadores.
Como medida preventiva, a prefeitura de Santos informou que mantém o monitoramento em toda a rede de ensino e que, até o momento, não há indícios de surto. A Secretaria Municipal de Saúde recomenda observar qualquer alteração na saúde das crianças e buscar o pronto atendimento em caso de suspeita.
De acordo com o Departamento Regional de Saúde, as cidades com maior número de ocorrências foram orientadas a reforçar campanhas de imunização e ampliar a busca ativa por pessoas não vacinadas. A medida busca conter a transmissão e reduzir a gravidade dos casos.
Embora o número de registros tenha crescido, as autoridades afirmam que não há indícios de surto generalizado. A recomendação é manter a vacinação em dia, reforçar hábitos de higiene e buscar atendimento médico rápido diante de qualquer sintoma suspeito, medida considerada decisiva para evitar novos óbitos na região.