Secretaria de Saúde informou que casos são isolados e sem risco à comunidade escolar; infectologista explica diferenças e formas de prevenção

A prefeitura de Santos, no litoral de São Paulo, confirmou dois casos de meningite, nesta semana. O anúncio ocorre poucos dias após a morte de uma aluna de 11 anos, em Praia Grande, por meningite bacteriana tipo C. O caso reacendeu o alerta entre pais e autoridades de saúde da Baixada Santista.
Em Santos, o primeiro registro foi o de um estudante de 13 anos, da Unidade Municipal de Ensino (UME) José Bonifácio, no bairro Vila Nova. Segundo a administração municipal, o caso foi notificado e está sob acompanhamento da Secretaria de Saúde.
Em nota, a prefeitura destacou que se trata de meningite viral, considerada menos grave que a bacteriana, e que não há necessidade de suspender as aulas. O aluno segue em recuperação e apresenta quadro estável.
O segundo, no entanto, foi confirmado nesta quinta-feira (30) e é referente a um caso de meningite bacteriana pneumocócica, em um aluno da UME Leonor Mendes de Barros, no bairro Gonzaga.
Segundo a Secretaria de Saúde, o estudante foi diagnosticado no início de outubro e está afastado da escola há mais de 20 dias, o que dispensa medidas preventivas entre colegas e funcionários.
A Secretaria informou, ainda, que o Departamento de Vigilância em Saúde distribuiu um documento aos pais e responsáveis com orientações sobre sintomas, cuidados e medidas preventivas. A ação visa tranquilizar a comunidade escolar e reforçar a importância da atenção aos sinais clínicos da doença.
A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. A doença pode ser causada por bactérias, vírus, fungos e parasitas. A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, por meio das vias respiratórias, por gotículas e secreções do nariz e da garganta. Também pode ocorrer a transmissão fecal-oral, através da ingestão de água e alimentos contaminados e contato com fezes.
Em entrevista à reportagem, Carolina Brites, médica infectologista pediátrica explicou que a principal diferença entre meningite viral e bacteriana está na gravidade dos sintomas e no agente causador. "A bacteriana costuma provocar febre mais alta e tem maior potencial de complicações, enquanto a viral tende a ser mais leve", explicou.
Mesmo que seja um caso isolado, a especialista reforçou a necessidade de atenção. "É fundamental manter a vigilância. Se algum contato apresentar sintomas como febre, dor de cabeça ou rigidez na nuca, deve procurar atendimento médico o quanto antes", alertou Carolina. A médica ressaltou que a principal forma de prevenção é a vacinação, especialmente contra os tipos de meningite bacteriana.
A vacina é essencial. Além disso, é importante garantir que todas as doses do calendário infantil estejam atualizadas”, afirmou.
Em casos de meningite viral, o tratamento costuma incluir internação para garantir hidratação, repouso e acompanhamento clínico adequado. "A internação ajuda a evitar complicações e assegura uma recuperação mais segura", acrescentou a infectologista.
A recente morte da menina em Praia Grande por meningite bacteriana levou especialistas a reforçar o alerta para toda a Baixada Santista. Segundo Carolina, a doença não foi erradicada e exige monitoramento constante. "É preciso reconhecer os sintomas precocemente e buscar diagnóstico rápido", pontuou.
Como medida de segurança, a prefeitura de Santos informou que mantém vigilância ativa sobre possíveis novos casos, e reforçou que não há risco de surto na rede municipal. O município orienta pais e responsáveis a observar qualquer alteração na saúde das crianças e procurar o serviço de saúde em caso de suspeita.