Avaliação com 99 mulheres, entre 18 e 49 anos, mostra que o excesso de peso cansa e enfraquece os músculos da região pélvica
Redação
Publicado em 08/05/2026, às 14h55
O acúmulo de gordura na região da barriga aumenta o risco de perda involuntária de urina nas mulheres. A constatação decorre de estudo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), interior paulista.
A pesquisa avaliou 99 mulheres, entre 18 e 49 anos. Os dados mostram que a gordura entre os órgãos, conhecida como visceral, eleva em 51% a chance da incotinência urinária de esforço. A forma como o peso se distribui afeta a saúde de forma mais direta do que a soma total dos quilos na balança.
O trabalho científico contou com o apoio da Fapesp (processos 13/00798-2 e 22/16910-5). Os resultados da análise também ganharam destaque em publicação oficial no European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology.
O escape de urina costuma ocorrer em situações comuns do dia a dia, como tossir, rir ou carregar peso. A professora Patrícia Driusso explica que o assoalho pélvico perde a força e não segura a pressão dentro do abdômen.
A docente descarta a relação exclusiva do quadro com o envelhecimento, pois a condição atinge também o público jovem.
Essa musculatura do assoalho pélvico é pouco trabalhada ao longo da vida e, sem treinamento adequado, pode ficar fraca e perder função”, afirma a orientadora do estudo.
Fatores como obesidade, menopausa e partos também influenciam o corpo da mulher. No caso das gestantes, as intervenções médicas inadequadas no momento do nascimento multiplicam os riscos de lesão nos músculos.
A fisioterapeuta Ana Jéssica dos Santos Sousa liderou a análise em parceria com a Western Michigan University. A equipe aplicou questionários e utilizou exames detalhados para medir a composição corporal exata de cada paciente.
Os especialistas apontam dois motivos principais para as falhas de retenção. O primeiro fator é mecânico, pois o excesso de peso na barriga sobrecarrega e cansa os músculos responsáveis por sustentar a bexiga.
O segundo fator envolve a inflamação do corpo. A gordura visceral atua de forma ativa e libera substâncias no organismo que prejudicam a força e a capacidade de contração dos tecidos, inclusive os da pelve.
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O treinamento muscular com sessões de fisioterapia surge como o melhor tratamento. Patrícia alerta para a necessidade de acompanhamento profissional, já que cerca de 30% das pacientes não conseguem contrair a região da forma correta sozinhas.
A equipe planeja usar equipamentos de ressonância magnética para avaliar a presença de gordura direto nos músculos. O estudo pretende criar novos treinos e encorajar as mulheres a buscarem ajuda médica para retomar a qualidade de vida e acabar com o tabu.
Mais detalhes sobre o estudo podem ser lidos no artigo: Which body region’s fat accumulation increase the risk of stress urinary incontinence?
*Com informações de Fernanda Bassette, da Agência Fapesp
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