Do transporte em rios da Amazônia ao recorde de contêineres em Santos, setor é responsável por 95% do comércio internacional brasileiro
Redação
Publicado em 17/08/2026, às 12h56
O celular recém-comprado na internet e o alimento nas prateleiras dos supermercados compartilham a mesma rota de origem: a logística portuária. Embora a imagem clássica do setor remeta aos gigantescos navios atracados no porto de Santos, litoral de São Paulo, a malha que sustenta o comércio do Brasil esconde números superlativos e engloba até rotas no meio da selva.
Para desmistificar essa engrenagem essencial, que, muitas vezes, passa despercebida no dia a dia, confira cinco curiosidades que vão muito além do tradicional cais:
Aproximadamente 95% de tudo o que o Brasil importa e exporta, em volume, depende das vias marítimas. É exatamente por esse caminho que riquezas como soja, minério de ferro e petróleo saem do país, e que produtos essenciais de outros continentes chegam ao mercado nacional.
A operação logística não se restringe ao oceano. O país conta com 35 mil quilômetros de rios navegáveis que funcionam como verdadeiras estradas de água. Na Amazônia, o transporte fluvial é muitas vezes a única ligação para o transporte de passageiros e mercadorias entre comunidades isoladas, sob a regulação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
A engenharia naval atingiu escalas impressionantes. Segundo o Ministério de Portos (MPor) e Aeroportos, atualmente, um único navio de grande porte tem capacidade para transportar mais de 24 mil contêineres de 20 pés (TEUs) de uma só vez. Esse ganho de proporção no comércio global ajudou o cais santista a bater o seu recorde histórico em 2025, quando movimentou 5,9 milhões de TEUs.
A cadeia logística não pode parar. Navios atracam e descarregam ininterruptamente, incluindo madrugadas, finais de semana e feriados. O programa porto 24 horas garante essa fluidez, unindo o trabalho sincronizado de práticos, operadores de máquinas, rebocadores e agentes de fiscalização para evitar atrasos que custariam milhões e afetariam o abastecimento.
Em 2025, os terminais do país alcançaram a marca de 1,4 bilhão de toneladas de cargas movimentadas — o maior volume de toda a história e 6,1% a mais que no ano anterior. Apenas o complexo de Santos respondeu por mais de 186 milhões de toneladas totais entre importações e exportações, recebendo 5,7 mil navios no período.