MERCADO DE TRABALHO

Profissões no porto: saiba quem garante a operação de cargas e navios

Da atracação do navio ao transporte de cargas pesadas, rotina portuária depende do trabalho integrado de diferentes especialistas

Trabalhador do porto em frente a navio, em área portuária
Profissionais de diferentes áreas atuam para garantir o funcionamento das operações portuárias - Vosmar Rosa/MPor


A engrenagem que faz um porto movimentar milhares de toneladas de carga todos os dias depende de uma força essencial: o trabalho humano. Mais do que guindastes modernos e navios de grande calado, a rotina portuária exige uma operação sincronizada entre diferentes profissionais, que atuam desde a chegada das embarcações até a liberação das mercadorias.

O desenvolvimento tecnológico do setor logístico e as rígidas normas de segurança internacional impulsionam a busca por trabalhadores cada vez mais capacitados no Brasil. Esses especialistas garantem que o fluxo de passageiros, tripulantes e cargas siga os padrões de fiscalização exigidos pelo mercado global.

Nos portos públicos (organizados), a legislação federal norteia as regras trabalhistas por meio da Lei de Modernização dos Portos (12.815/2013). Já nos Terminais de Uso Privado (TUPs), a iniciativa privada tem mais liberdade para definir o modelo de contratação e gestão. Em ambos os casos, a complexidade de cada tipo de carga exige treinamentos específicos.



Raio-x das profissões portuárias

A estrutura de trabalho no cais é dividida por áreas de especialidade e risco. Confira abaixo o perfil das principais funções operacionais e administrativas que movimentam os portos brasileiros:

  • Trabalhador da capatazia: atua em terra firme. Movimenta as mercadorias nas instalações internas do porto, recebendo, conferindo e transportando as cargas. O grupo também abre volumes para a fiscalização aduaneira e auxilia no carregamento dos navios quando o porto utiliza os próprios equipamentos;
  • Trabalhador da estiva: atua na linha de frente, nos conveses e nos porões dos navios. Cuida da peação (amarração e fixação das cargas em contêineres para evitar acidentes na viagem) e da despeação (desamarrar as mercadorias na chegada);
  • Conferente de carga: faz a contagem física dos volumes, anota as características, verifica a procedência, o destino e o estado geral das embalagens, além de acompanhar o processo de pesagem nas balanças;
  • Consertador de carga: atua como o "socorrista" logístico. Repara e restaura as embalagens danificadas, remarca, etiqueta e sela os volumes abertos pela vistoria aduaneira, garantindo a integridade do material até a entrega;
  • Vigilante de embarcação: controla o fluxo de pessoas a bordo dos navios atracados ou fundeados (ancorados ao largo), protegendo as rampas, porões e plataformas contra invasões ou incidentes;
  • Trabalhador de bloco: executa serviços de limpeza pesada, conservação e manutenção mecânica e estrutural das embarcações, incluindo batimento de ferrugem, pintura e pequenos reparos navais;
  • Administrativo portuário: atua nos bastidores burocráticos. São advogados, contadores e gestores comerciais que garantem a legalidade, o faturamento e o fluxo documental da operação portuária.

Fórum de debates

Para acompanhar a evolução do setor e proteger esses profissionais, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) coordena o Fórum Permanente dos Trabalhadores Portuários. O grupo reúne federações patronais, autoridades portuárias e órgãos públicos para debater políticas de segurança, capacitação contínua e as condições da jornada de trabalho nos terminais do país.

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