Estados Unidos anunciam possível tarifa de 25% sobre produtos do Brasil

Medida do governo americano isenta itens como café e carne bovina; prazo legal para adoção da taxação vai até meados de julho

Redação
Publicado em 02/06/2026, às 09h45 - Atualizado às 10h56

Justificativa para nova tarifa tem origem em investigação aberta a pedido do presidente Donald Trump - Daniel Torok/White House


O governo dos Estados Unidos (EUA) anunciou a possibilidade de taxar importações brasileiras com uma nova tarifa punitiva de 25%.

A alegação principal aponta para práticas consideradas desleais adotadas pelo Brasil em diferentes setores. Entre as práticas citadas na denúncia, constam o comércio digital e o desmatamento ilegal.

A nova taxação tem previsão para entrar em vigor em 15 de julho. O governo norte-americano, no entanto, excluiu itens específicos da medida, como carne bovina, café, terras raras, outros metais e peças de aeronaves.



A justificativa para a aplicação da nova tarifa tem origem em uma investigação aberta em julho de 2025 pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O órgão concluiu que políticas e práticas do Brasil são irrazoáveis e restringem o comércio norte-americano.

Veja também: TRE-SP alerta para golpe sobre falsos débitos eleitorais no WhatsApp

O relatório final da apuração prevê a imposição de tarifas ou outras restrições à importação de produtos brasileiros. Com base nessa possibilidade, o representante de comércio propôs a aplicação da taxa de 25% sobre a maioria dos bens oriundos do Brasil.



A punição com a cobrança extra prevê exceções para produtos capazes de causar rupturas na economia dos Estados Unidos caso sofram taxação adicional. O texto isenta itens que não podem ser cultivados ou produzidos em quantidades suficientes no país norte-americano, nem obtidos facilmente de outras fontes.

O grupo de exceções livre da sobretaxa abrange frutas, nozes, petróleo bruto e derivados, compostos farmacêuticos, produtos químicos orgânicos e fertilizantes. Carne bovina, café, terras raras, certos metais, minérios e peças de aeronaves brasileiras também integram a parcela isenta.

Seção 301 da Lei de Comércio

O USTR anunciou a decisão na noite da segunda-feira (1º), apoiada nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, de 1974. A investigação avaliou práticas nas áreas de comércio digital e serviços de pagamentos eletrônicos, como o Pix, além da concessão de tarifas preferenciais.



O relatório também abordou a proteção de propriedade intelectual, o combate à corrupção, o acesso ao mercado de etanol e o desmatamento ilegal. O USTR afirma que esses pontos causam prejuízos para empresas e exportações dos Estados Unidos. Como consequência, o governo americano abriu consulta pública para debater possíveis medidas corretivas.

O processo abrange o envio de comentários até 1º de julho e uma audiência pública em 6 de julho, enquanto as negociações com o governo brasileiro continuam. O prazo legal para a eventual adoção da nova tarifa termina em 15 de julho de 2026. A investigação já ouviu mais de 30 testemunhas e registrou cerca de 300 manifestações.

Confira: Ex-prefeito de São Sebastião é denunciado pelo Ministério Público por desviar munição da GCM



O representante comercial estadunidense Jamier Greer declarou que a apuração começou a pedido do presidente Donald Trump, sob a alegação de preocupações antigas e generalizadas com certas políticas e práticas comerciais do Brasil.

Greer explicou o cenário atual das negociações com o governo nacional. O embaixador afirmou que, ao longo do último ano, a equipe norte-americana teve várias reuniões construtivas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o seu gabinete, com intensificação nas últimas semanas. 

O diplomata ressaltou, contudo, que os países continuam com divergências substanciais na resolução das questões identificadas na investigação e que ele aguarda com expectativa a continuação do diálogo antes do prazo legal de 15 de julho de 2026 para a tomada de medidas corretivas.



* Com informações da Reuters e da Agência Brasil

Para mais conteúdos