Proposta enviada ao Congresso prevê aumento de R$120, mas valor ainda pode mudar conforme a inflação acumulada até novembro
Rhauanny Queiroz
Publicado em 18/09/2026, às 13h14
O reajuste do salário mínimo nacional tem data prevista para entrar em vigor: janeiro de 2027. De acordo com a estimativa apresentada pelo governo federal no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), encaminhado ao Congresso Nacional, o piso do país poderá subir dos atuais R$1.621 para R$1.741.
Se o valor receber confirmação dos parlamentares, o trabalhador que recebe o piso nacional terá um acréscimo nominal de R$120 por mês. A previsão consta formalmente no PLN 24/2026, texto que estabelece a proposta orçamentária da União para o próximo período fiscal. Esse montante representa uma elevação nominal de aproximadamente 7,4% na comparação com a remuneração mínima atual.
As consultorias de Orçamento do Senado e da Câmara dos Deputados informam que o cronograma oficial prevê a vigência da nova quantia no início do primeiro mês de 2027.
O novo piso ainda não obteve aprovação definitiva. O projeto precisa percorrer todo o trâmite legislativo antes de se tornar uma norma com efeito prático. A matéria está sob a responsabilidade da Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), colegiado composto por deputados federais e senadores.
O calendário de deliberação inclui o exame detalhado das receitas da União, a apresentação de emendas parlamentares, a elaboração de relatórios setoriais e a conclusão do relatório geral.
A Constituição Federal estabelece que o Congresso precisa aprovar o Orçamento até o encerramento do ano civil. Nesta semana, o Senado comunicou que a expectativa dos líderes aponta para a votação do Orçamento de 2027 após as eleições.
Segundo os dados do Ministério do Planejamento e Orçamento, a quantia de R$1.741 tem como base a soma de dois fatores centrais: a estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculada em 4,93% no acumulado de 12 meses até novembro, e o aumento real de 2,3%.
Dessa maneira, o reajuste projetado se posiciona acima do índice de inflação adotado pela equipe econômica. A variação segue o mecanismo legal que teve aprovação no encerramento do ano passado. Essa regra impõe um limite máximo de 2,5% de ganho real acima da inflação apurada no ano anterior.
Durante o processo de elaboração das projeções orçamentárias, o montante passou por revisões. Em documentos prévios, o governo operava com o valor de R$1.717, número que constava na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
A equipe atualizou a estimativa para R$1.741, o que representa uma diferença de R$24 em relação à proposta anterior. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, adiantou o valor na semana anterior ao envio da proposta ao Legislativo, protocolada na noite de segunda-feira (31).
O montante de R$1.741 deve ser interpretado como uma projeção, e não como uma definição imutável. Como a regra de correção depende de índices que o governo ainda irá conhecer na íntegra, o patamar final pode sofrer mudanças.
O valor final poderá ficar ainda maior se o INPC, apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentar avanço superior ao esperado até novembro. Com os dados da inflação acumulada entre dezembro de 2025 e novembro de 2026 em mãos, o Poder Executivo planeja o envio de uma mensagem modificativa ao Congresso Nacional no início de dezembro.
Além do piso salarial, o PLOA trabalha com outras metas e projeções macroeconômicas. O texto estima o crescimento da economia em 2,46%, projeta a taxa de inflação em 3,6% e prevê a taxa Selic em 12,53% ao ano.
Para os cidadãos que recebem exatamente o piso nacional, a mudança de R$1.621 para R$1.741 representa uma elevação de R$120 a cada mês. Ao longo de 12 meses de remuneração, esse ganho soma R$1.440 adicionais.
Esse cálculo considera apenas a diferença nominal direta, sem levar em conta o décimo terceiro salário ou outros efeitos do direito do trabalho. Contudo, a alteração do piso nacional não afeta apenas o rendimento dos trabalhadores da iniciativa privada.
O índice atua como referência primordial para diversos pagamentos da Previdência Social e da assistência pública federal. Entre esses compromissos estão as aposentadorias vinculadas ao piso previdenciário e os repasses do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Por causa dessas vinculações diretas, as mudanças provocam impacto sobre as contas públicas. Em 25 de agosto, o governo confirmou que a proposta orçamentária de 2027 prevê o piso de R$1.741 e um impacto fiscal relevante. O aumento deve acrescentar aproximadamente R$49,6 bilhões às despesas primárias da União.
Em entrevista concedida na quinta-feira (17) à rádio Itatiaia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a preservação do poder de compra dos beneficiários da Previdência Social. O presidente afirmou que o governo manterá os reajustes do salário mínimo para os aposentados, sob o argumento de que essa quantia assegura o mínimo necessário para a sobrevivência.
Lula também declarou que não tem a intenção de impor sacrifícios aos cidadãos de menor renda para favorecer as camadas mais ricas. O presidente criticou a lógica tradicional das medidas de contenção fiscal e declarou: “Aumento do salário mínimo não causa inflação, isso é uma imbecilidade. Não vou fazer o pobre pagar o preço de qualquer ajuste fiscal.”
Na mesma entrevista, o presidente abordou as políticas sociais e garantiu o compromisso com o Bolsa Família caso obtenha a reeleição. Lula manifestou a intenção de manter o programa assistencial e expressou o desejo de que a população no futuro não precise mais desse auxílio.
Na manhã do mesmo dia, o presidente assinou um decreto que fixa um reajuste de 15% nos repasses do Bolsa Família a partir de outubro. Com a medida, o valor básico do benefício sobe de R$600 para R$691 por núcleo familiar. A assinatura do decreto ocorreu sem comunicação prévia no Palácio do Planalto e sem discurso do chefe do Executivo.
Lula argumentou que a correção do benefício representa uma ação direta de proteção estatal voltada às famílias com maior grau de vulnerabilidade social. Por outro lado, o reajuste motivou críticas da oposição. O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro afirmou que a concessão do aumento no Bolsa Família reflete desespero do presidente e declarou: “Ele sabe que isso não pode, mas é o desespero, porque ele sabe que já perdeu.”