Enquanto se alimenta, animal recicla matéria orgânica, ajuda a manter o equilíbrio do fundo marinho e beneficia diversas espécies
Rhauanny Queiroz
Publicado em 06/07/2026, às 12h30
O pepino-do-mar (Holothuroidea) é conhecido pelo alto valor comercial em países asiáticos e pela pesca ilegal que ameaça diversas espécies. Mas, muito antes de despertar interesse econômico, esse animal já desempenhava uma função essencial para os oceanos.
Presente em fundos arenosos e rochosos, ele ajuda a manter o ambiente marinho saudável ao reciclar matéria orgânica e contribuir para o equilíbrio do ecossistema.
Apesar da aparência simples, o pepino-do-mar trabalha continuamente sobre o sedimento do fundo do mar. Ao se alimentar, ele ingere areia, restos de animais, algas e matéria orgânica em decomposição. Depois de retirar os nutrientes necessários, devolve o sedimento ao ambiente, mais limpo e com melhores condições para outros organismos.
Esse comportamento faz com que a espécie seja comparada a uma espécie de ‘faxineiro do oceano’. Assim como as minhocas revolvem e enriquecem o solo em ambientes terrestres, os pepinos-do-mar ajudam a renovar os sedimentos marinhos, favorecendo a circulação de nutrientes e a qualidade do habitat.
O processo de alimentação do pepino-do-mar beneficia diversos organismos que vivem no fundo do mar. Ao movimentar constantemente o sedimento, o animal reduz o acúmulo de matéria orgânica, favorece a oxigenação do substrato e contribui para a reciclagem de nutrientes que serão utilizados por bactérias, algas e outros seres vivos.
Pesquisas apontam que esse trabalho também influencia a qualidade química do sedimento, reduzindo o acúmulo de compostos que podem prejudicar a biodiversidade quando presentes em excesso. Com isso, diferentes espécies encontram condições mais favoráveis para viver e se desenvolver.
Além disso, o pepino-do-mar participa do ciclo natural do carbono e de outros elementos químicos presentes nos oceanos. Por essa razão, cientistas consideram esses animais importantes para o funcionamento dos ecossistemas costeiros.
A retirada excessiva desses animais pode provocar desequilíbrios ambientais. Sem a reciclagem constante promovida pelos pepinos-do-mar, a matéria orgânica tende a se acumular no fundo marinho, alterando as características do sedimento e afetando espécies que dependem desse ambiente para alimentação, abrigo e reprodução.
Esse é um dos motivos que levam pesquisadores a defender medidas de conservação e o combate à captura ilegal. Em várias partes do mundo, algumas populações sofreram redução significativa devido à exploração intensa para atender ao mercado internacional.
No Brasil, mais de 30 espécies de pepinos-do-mar já foram registradas, sendo pelo menos 14 delas no litoral paulista. Além das ações de fiscalização, pesquisadores também desenvolvem estudos sobre a reprodução em laboratório e o cultivo da espécie, alternativa que pode reduzir a pressão sobre as populações naturais e contribuir para a conservação desse importante ‘faxineiro’ dos oceanos.