Escorpião faz a primeira vítima fatal do ano em SP; veja por que o animal domina as cidades e como agir

Escorpião-amarelo causa a maioria dos acidentes graves no Brasil e possui a capacidade de gerar até 25 filhotes por ninhada sem a necessidade de um macho

Mayumi Kitamura
Publicado em 09/04/2026, às 11h27

Escorpião domina as cidades graças à reprodução sem cópula e alimentação à base de baratas encontradas no lixo - Reprodução/Butantan


O Brasil enfrenta um inimigo de 450 milhões de anos, que não precisa sequer de um parceiro para se multiplicar, o escorpião. Essa adaptação extrema é ainda mais preocupante quando se analisa o fato de que as mortes por picadas desse aracnídeo dobraram no país, em 2025.

E o primeiro óbito deste ano foi confirmado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CVE), na terça-feira (7). A vítima foi um homem de 65 anos, no município de Sorocaba.

A falta de saneamento básico funciona como um convite para o bicho, mas é a biologia impecável do aracnídeo que garante o seu domínio nas cidades. Conforme dados do Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde, os escorpiões são responsáveis por mais de 65% dos ataques de animais peçonhentos no território nacional.



Proliferação

O avanço nos centros urbanos, alerta o Instituto Butantan, é relacionado também à busca por baratas no esgoto e no lixo. Nesse cenário escuro e úmido, o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), campeão de acidentes graves no país, age de forma silenciosa.

A proliferação rápida deriva de um fenômeno chamado partenogênese. A fêmea gera os embriões sozinha, sem cópula, e cada ninhada gera entre 20 e 25 filhotes. Eles sobem nas costas da mãe por instinto de proteção e lá ficam por 15 dias, nutridos por uma reserva interna, até partirem para a vida solitária nos entulhos.

Mito das galinhas

Na tentativa de frear a infestação, a sabedoria popular recomenda a criação de galinhas, o que o Instituto Butantan alerta se tratar de um mito. Ocorre que as aves possuem hábitos diurnos, enquanto os escorpiões caçam à noite, por isso, o encontro entre os dois é raro na natureza.



Além disso, a criação de galinhas traz um risco extra, já que as fezes das aves acumulam matéria orgânica que atrai o inseto transmissor da leishmaniose, o que cria um problema duplo de saúde pública.

Fóssil vivo

Com origens anteriores aos dinossauros, os escorpiões guardam táticas extremas de sobrevivência. Conheça algumas delas:

Veneno de escorpião

Informações do Instituto Butantan revelam que o efeito do veneno de escorpião atinge o sistema nervoso. A dor intensa domina o local da picada de imediato. Crianças de até 10 anos formam o grupo de risco extremo e concentram mais de 20% das mortes.



O tempo entre o ferimento e a chegada ao médico define a vida da vítima. A letalidade dispara quando o socorro demora mais de uma hora. As orientações de primeiros socorros são as seguintes: 

O paciente jamais deve amarrar o membro (torniquete), tentar sugar o veneno nem colocar gelo no local ferido, já que o frio pode potencializar a dor.

* Com informações do Butantan e Agência SP





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