Tartaruga é devolvida ao mar em Praia Grande; saiba por que a cidade é especial para esses animais

Tartaruga-verde passou 52 dias em reabilitação no Instituto Biopesca e foi devolvida ao mar na manhã desta quarta-feira (23), na praia do Canto do Forte

Esther Zancan
Publicado em 23/07/2025, às 15h33

Tartaruga-verde foi devolvida ao seu habitat na manhã desta quarta-feira (23), no Canto do Forte - Esther Zancan


Uma tartaruga-verde (Chelonia mydas) foi solta na praia do Canto do Forte, em Praia Grande, na manhã desta quarta-feira (23), após passar 52 dias em reabilitação no Instituto Biopesca, também sediado em Praia Grande. O que pouca gente sabe é que a cidade é um local especial para esses animais.

Segundo a médica veterinária do instituto, Vanessa Ribeiro, a jovem tartaruga foi encontrada em uma rede de pesca por um pescador em Itanhaém. Ela apresentava alguns machucados leves e miopatia, que é uma afecção das fibras musculares, devido ao esforço.

Durante o período no Biopesca, a tartaruga passou por exames e ficou “hospedada” em uma piscina de 10 mil litros de água salgada. No ‘cardápio’, algas marinhas, pepino, couve e um peixinho de vez em quando. Vanessa também contou que a tartaruguinha recebeu pela primeira vez a anilha de identificação, na nadadeira. 



A região de Praia Grande costuma ser especial para as tartarugas juvenis, pois elas buscam algas marinhas nos costões, como o da Ponta de Itaipu, no Canto do Forte. Quando juvenis, as tartarugas-verdes se mantêm mais próximas à costa, e se alimentam de algas e peixes. Quando chegam à idade adulta, passam a ser ‘vegetarianas’ e consomem apenas algas.

Tartaruga-verde recebeu anilha de identificação pela primeira vez - Esther Zancan

 

Soltura

O momento da soltura da tartaruga no mar foi repleto de emoção. Ela foi levada até a água por Vanessa e pelo representante da prefeitura de Praia Grande, o secretário de Projetos Especiais e Estratégicos, Lucas Mourão Glerean. A população que estava na praia acompanhou de perto, até o momento em que a tartaruga sumiu nas águas, rumo à viagem de volta ao lar.



Carolina Bertozzi, professora da Unesp e fundadora do Instituto Biopesca, comentou sobre a importância dessas ações de reintegração de animais marinhos ao seu habitat. Carolina disse que isso sensibiliza a população sobre a biodiversidade do litoral paulista. “A gente só preserva, só protege o que a gente conhece. Quando uma criança, uma pessoa, vê o animal de volta ao habitat natural, ela vai pensar duas vezes antes de jogar um plástico, um lixo no mar”.

Já o secretário Lucas Mourão Glerean também contou sobre a emoção de ter participado da soltura da tartaruga. “É a primeira vez que participo da soltura de uma tartaruga. É emocionante, sem palavras. A emoção de ver ela nadando, voltando à vida, é inexplicável”.

Pose para fotos antes da volta ao habitat - Esther Zancan

 



Biopesca

O Instituto Biopesca é uma das instituições executoras do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.

Esse projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, por meio do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos.

O projeto é realizado desde Laguna, em Santa Catarina, até Saquarema, no Rio de Janeiro, sendo dividido em 15 trechos. O Instituto Biopesca monitora o Trecho 8, compreendido entre Peruíbe e Praia Grande. Para acionar o serviço de resgate de mamíferos, tartarugas e aves marinhas, vivos, mas debilitados, ou mortos, entre em contato pelo telefone 0800 642 3341 (horário comercial) ou pelo celular (13) 99601 2570 (24h, WhatsApp e chamadas a cobrar).



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