De acordo com o Observatório Nacional, rotação da Terra deve atingir alguns dos dias mais curtos já registrados neste ano de 2025
Redação
Publicado em 13/07/2025, às 10h53
Você sente que o tempo está voando, que as 24 horas do dia já não rendem o que rendiam antigamente? Bem, isso pode ser apenas algo provocado pela correria da vida moderna. Mas, é fato também que a Terra deverá registrar uma aceleração momentânea em sua rotação nos próximos dias.
De acordo com informações do Observatório Nacional, o fenômeno pode resultar nos dias mais curtos já medidos desde o início das observações com relógios atômicos. De acordo com os cálculos, isso já ocorreu no dia 5 de julho e voltará a ocorrer por volta dos dias 22 de julho e 5 de agosto.
Desde 2020, os cientistas vêm acompanhando uma sequência de dias anormalmente curtos em meados do ano. Embora a rotação da Terra apresente uma desaceleração sistemática desde sua formação (há aproxiamadamente 4,5 bilhões de anos, o planeta tinha um período de rotação entre 5 e 10 horas, contra quase 24 horas atualmente) também existem variações pontuais que podem acelerar ou desacelerar a velocidade de rotação por períodos limitados.
Segundo o Dr. Fernando Roig, pesquisador do Observatório Nacional, e diretor substituto da instituição, a rotação da Terra, em média, continua a se frear, um fenômeno estudado desde o século XVIII e compreendido no século XIX. No entanto, variações sazonais e eventos fortuitos, como grandes terremotos, o movimento do núcleo da Terra, a oscilação dos polos geográficos, ou deslocamentos de massa nos oceanos e na atmosfera, podem alterar temporariamente o momento de inércia do planeta, mudando sua velocidade de rotação.
Além desses eventos, mudanças climáticas em grande escala também podem influenciar esse movimento, por meio do fenômeno conhecido como maré atmosférica, semelhante à maré oceânica. O deslocamento periódico de massas de ar impacta diretamente na rotação do planeta.
Mudanças abruptas na temperatura média da superfície terrestre, como a transição da era glacial para a atual, também já provocaram variações significativas na duração do dia. Há aproximadamente 600 milhões de anos, por exemplo, o dia durava por volta de 21 horas.
Apesar dessas oscilações, as diferenças são imperceptíveis para o ser humano, pois chegam a poucos milissegundos. Em média, a Terra completa uma rotação em 86.400 segundos, ou 24 horas, mas pequenas variações podem ser detectadas com o uso de relógios atômicos, tecnologia disponível desde a década de 1950. O parâmetro que mede essas variações é conhecido como duração do dia (length of day, ou LOD, em inglês).
Até 2020, o menor LOD já registrado era de -1,05 milissegundo, indicando que o planeta girou ligeiramente mais rápido. Desde então, esse recorde vem sendo superado quase todos os anos, chegando a -1,66 milissegundo em 5 de julho de 2024. A expectativa é que valores semelhantes sejam alcançados novamente em julho e agosto de 2025.
No próximo dia 22 de julho, a previsão é de que chegue a -1,38 milissegundos. Já em 5 de agosto, a previsão é de -1,51 milissegundos. Outro fator que contribui para esse fenômeno de curto prazo é a órbita da Lua, que afeta a rotação da Terra.
O planeta tende a girar mais rápido quando a Lua se encontra mais distante (para o Norte ou para o Sul) em relação ao equador terrestre, o que acontecerá nas datas previstas para os possíveis recordes neste ano. O Observatório Nacional ressalta que ainda não há uma resposta definitiva para explicar por que essas acelerações momentâneas ocorrem.
Com informações de Observatório Nacional
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