Leilão de imóveis atrai novo público, mas exige cuidado com custos ocultos

Mercado digital facilita o acesso, mas comprador precisa analisar dívidas, tributos e gastos com desocupação antes de arrematar a propriedade

Redação
Publicado em 25/05/2026, às 15h51

Rafael Rodrigues alerta que descontos expressivos escondem comissão de leiloeiro e impostos atrasados - Pexels


O mercado de leilões de imóveis, antes restrito a investidores experientes, atrai um novo perfil de compradores. A digitalização dos processos facilitou o acesso à informação e abriu portas para pessoas que buscam o primeiro imóvel abaixo do preço de mercado ou que planejam aumentar o patrimônio.

Uma das novidades que atrai esse público é a possibilidade de financiamento. Sócio na RVF Advogados, Rafael Rodrigues desmistifica a ideia de que o pagamento precisa ocorrer sempre à vista. 

Existem hoje algumas opções de leilões específicos da Caixa Econômica Federal que você consegue financiar com um valor mais barato e fazer essa alavancagem patrimonial", explica.

Fim da ilusão da pechincha

Apesar dos atrativos, o especialista alerta que o imóvel de leilão nem sempre representa um grande negócio. Custos ocultos transformam o que parece uma oportunidade em prejuízo para compradores sem experiência, que olham apenas para o desconto inicial da propriedade.



Rodrigues detalha o que o interessado precisa analisar para além do preço inicial. "A comissão do leiloeiro, que geralmente é 5% do valor da arrematação, eventuais débitos condominiais, tributos e, às vezes, até um custo de desocupação", enumera o especialista.

O custo de desocupação ocorre quando o imóvel arrematado abriga o antigo devedor ou terceiros. Nesses casos, o novo proprietário precisa de paciência e, muitas vezes, de auxílio jurídico para liberar o bem.

Além das dívidas que acompanham o imóvel (chamadas de propter rem na linguagem jurídica), Rodrigues aponta o risco de anulação. Caso o leilão não cumpra as formalidades legais, a Justiça suspende o processo, e o arrematante demora para receber o dinheiro de volta.



Dicas para iniciantes

Para evitar erros e gastos inesperados, a principal orientação é buscar informação antes de dar o primeiro lance.

Estude bastante sobre o tema. Hoje tem bastante conteúdo na internet que você pode acessar. E se você não quiser estudar, contrate uma assessoria especializada", orienta Rodrigues.

*Com informações do quadro Papo de Finanças do Jornal Litoral, da TV Cultura Litoral.

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