Cinco prefeitos eleitos pelo partido, em 2020, migraram para outras legendas; situação regional reflete crise nacional do partido
Thiago dos Santos
Publicado em 05/07/2024, às 09h40 - Atualizado às 14h32
De partido hegemônico no comando da maioria das prefeituras do litoral de SP, o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) caminha para se tornar um partido nanico, com pouca ou nenhuma relevância na região. Nas eleições municipais de 2020, os tucanos conquistaram sete das 13 principais prefeituras do litoral de São Paulo, o que consolidava a legenda como a de maior número de chefes do Executivo na região, comandando cidades estratégicas como Santos e Praia Grande.
Contudo, entre 2020 e 2024, o partido perdeu cinco prefeituras, graças a uma debandada quase generalizada de seus líderes. Migraram para o PSD (Partido Social Democrático) os prefeitos de Bertioga, Caio Mateus; de Itanhaém, Tiago Cervantes e de Peruíbe, Luiz Maurício. Já a prefeita de Praia Grande, Raquel Chini, e o prefeito de Santos, Rogério Santos, filiaram-se ao Republicanos.
Atualmente, apenas dois prefeitos dos principais municípios permanecem no PSDB: Ademário Silva, de Cubatão, e Felipe Augusto, de São Sebastião. Mas, nenhum dos dois pode concorrer à reeleição por estarem em seu segundo mandato consecutivo.
Segundo seus próprios quadros históricos e a maioria dos analistas políticos, o partido, que comandou o Brasil entre 1995 e 2022, vive uma crise sem precedentes que começou há dez anos, nas eleições presidenciais de 2014.
A crise começou a se desenhar com mais clareza no ano seguinte, quando Aécio Neves, derrotado nas urnas por Dilma Rousseff, aliou-se à extrema direita, que então engatinhava, para contestar as eleições, num movimento que foi dar na derrubada da presidente em 2016. Ali, o PSDB cavava, sem saber, a própria cova, avaliam analistas.
"O partido cometeu um conjunto de erros memoráveis”, avaliou, em entrevista ao Estadão, em agosto de 2018, o então senador Tasso Jereissati, quadro histórico e cofundador do partido. “O primeiro [erro] foi questionar o resultado eleitoral. Começou no dia seguinte [à eleição de 2014]. Não é da nossa história e do nosso perfil. Não questionamos as instituições, respeitamos a democracia. O segundo erro foi votar contra princípios básicos nossos, sobretudo na economia, só para ser contra o PT. Mas o grande erro, e boa parte do PSDB se opôs a isso, foi entrar no governo Temer. Foi a gota d’água, junto com os problemas do Aécio [Neves]. Fomos engolidos pela tentação do poder".
Mas a crise estava longe do fim e tornou-se ainda mais aguda nos anos que sucederam as declarações do cacique tucano, durante a pandemia, na guerra fratricida entre João Doria, então governador de São Paulo, e Eduardo Leite, então governador do Rio Grande do Sul.
Entre 2020 e 2022, ambos travaram uma competição pela preferência do partido para disputar a presidência da República. Os dois perderam, na medida em que nenhum disputou a presidência (o partido acabou apoiando Simone Tebet, do MDB) e o PSDB caminhou mais um pouco rumo ao abismo.
No mês passado, ao sair do partido após quase 30 anos, o tucano histórico, ex-ministro e ex-senador Aloyzio Nunes, avaliou que o PSDB “não tem mais projeto”. A gota d’água, após divergências que se acumulavam desde 2022, declarou Nunes à imprensa, foi o lançamento do apresentador Datena para disputar a prefeitura de São Paulo pelo partido.
A configuração regional observada no litoral paulista também se reproduz nacionalmente. Na Câmara e Senado, o PSDB reunia, no início do ano, a menor bancada de sua história: 13 deputados e dois senadores, sendo que um dos dois senadores, Izalci Lucas, migrou no primeiro semestre para o PL (Partido Liberal) de Bolsonaro.
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